domingo, 8 de abril de 2012

SEGUNDO BLOCO DE: ENTRE A ARANHA, HÁ QUEM GANHA...


CAPÍTULO 001...


*INÍCIO DO SEGUNDO BLOCO*

CENA 19/ PLANOS GERAIS DE PAISAGENS/ EXT./ NOITE.
Vários clipes com diversas paisagens noturnas, imagens de parques, monumentos históricos, trânsito em viadutos, praças bem iluminadas. Famílias caminhando em volta das lagoas...Passagem da noite para o dia, com um relógio em marca d’água ao fundo trazendo a dimensão das horas.
CORTA PARA:

CENA 20/ PRAÇA DA CIDADE/ CHAFARIZ/ EXT./ DIA.
Uma multidão de pessoas aglomeram no chafariz da praça da cidade. Vários canteiros com vistosas flores, igreja ao fundo em estilo barroco, nos bancos um contingente de pessoas interagindo. A CAM percorre em direção a movimentação de gente próxima ao chafariz.
Enéias - (conta em off)
 Senhoras e senhores. O espetáculo já vai começar. A quem diga que minhas histórias são sem pé e nem cabeça, porém elas podem ajudar.
Ao fundo o som do violão. Fecha em Enéias rodeado de pessoas.
Enéias –
 Hoje trago uma proposta inusitada pra quem me escuta. É o desafio de construir um conto. Alguém se interessa? (caminha olhando pra todas ali presente). É muito simples. Pode parecer difícil, dentro da cachola tem muita coisa a ser reaproveitada. Tenho certeza de que o que vai ser falado, cada um aqui presente vai refletir e adaptar a sua realidade. Basta escutar com integridade.
CORTA PARA:

CENA 21/ CONSULTÓRIO DO DR. TEOBALDO/ INT./ DIA.
Carlos –
(sentado diante do médico) Dr. Tenho um amigo que tá fora da realidade. Ele é tão capaz, mas pensa pequeno demais, virando motivo de chacota sabe.
Dr. Teobaldo –
 (confuso) Explique melhor o problema dele. Porque recebo pacientes com vários graus de loucura no caso do seu amigo tem que ser mais preciso.
Carlos –
 Na verdade, ele cisma que é um contador de histórias, anda pela cidade parando as pessoas em diversos lugares.
Dr. Teobaldo –
 (retruca) E o que há de errado nisso? Vejo como algo extremamente normal. É uma atividade comum.
Carlos tenta de toda forma convencer o médico da loucura do amigo.
Carlos –
 O Sr. Num tá entendendo, ele tá ficando alienado com esse troço de sair alugando as pessoas por aí. Fala coisa com coisa, Dr. Ninguém o escuta, mas continua insistindo nessa besteira.
Dr. Teobaldo –
 (tamborilando os dedos com a caneta na mão) Bem a única solução (pensativo) seria trazê-lo aqui pra fazer uma breve avaliação da situação. Depois chego a conclusão sobre que tipo de tratamento iniciar. Enquanto isso é importante, colocá-lo a par  de que é necessário aceitar o atendimento, caso contrário fica difícil ajudar.
Carlos –
(preocupado) Aí é que tá a merda toda Dr. aceitar vir aqui, assim a troco de nada. Conheço muito bem aquela cabeça dura.
CORTA PARA:

CENA 22/ DEPTO FINANCEIRO DE LOJA/ SALA/ INT./ DIA.
Deusdete sentado na sua mesa, analisando alguns papéis, pega o controle remoto da televisão, liga. Nessa hora aparece o noticiário, mostrando um repórter gravando a façanha de Enéias na praça da cidade. Reuniu um conglomerado de pessoas, todas entretidas com os contos daquele moço. Com direito a trânsito embananado. Uma verdadeira repercussão.
Repórter -  (fala em off)
 Estamos daqui da praça da cidade, pra mostrar um feito inusitado. Um senhor de meia idade está distraindo as pessoas com histórias bem interessantes. Pra acompanhar o repertório ele toca violão enquanto eloquentemente conta suas façanhas...
Deusdete levanta perplexo de sua mesa, caminhando rumo ao sofá da sua sala.
Deusdete –
 Não acredito! (surpreso), aquele maluco virando manchete de jornal de televisão. Isso já é demais. Venho a tanto tempo querendo conseguir uma brecha como essa e em tão pouco tempo esse cara já conseguiu? Confesso que é de tirar o chapéu!
CORTA PARA:

CENA 23/ SAGUÃO ED. MACÁE/ PORTA PRINCIPAL/ INT./ DIA.
Os moradores do prédio batem palmas pra Enéias. Todos focados na televisão. O porteiro do Ed. Macaé anuncia em voz alta.
Porteiro –
 Esse é o nosso orgulho! Seu Enéias aparecendo em televisão. Viva ao Seu Enéias.
 Os moradores – (em coro)
 Viva!
A CAM mostra bastante folia no recinto. O saguão ficou cheio de gente comemorando o sucesso do vizinho.
CORTA PARA:

CENA 24/ APTO DE CARLOS/ SUÍTE/ INT./ DIA.
Renata está da camisola, caminha rumo ao telefone. Detalhe pra televisão ligada com as últimas notícias. Disca o número do marido.
Renata -  
Bom dia, Carlos! (seca).
Carlos -  (responde em off)
 Bom dia! (seco).
Renata enquanto assiste a televisão pergunta.
Renata –
 Você já ligou a TV hoje? Acho que vai gostar de ver uma coisa que tá passando no noticiário agora.
CORTA PARA:

CENA 25/ CARRO DE CARLOS/ INT./ DIA.
Ao telefone, Carlos está meio confuso.
Carlos –
 Ainda não liguei o que tá acontecendo?
Sem perceber, Carlos estava no meio de um tumulto de pessoas, próximas a praça da cidade.
CORTA PARA:

CENA 26/ APTO DE CARLOS/ SUÍTE/ INT./ DIA.
Renata -  
Acho melhor não falar, é melhor você enxergar com os próprios olhos...(desliga o telefone).
Observando o noticiário, Renata percebe que o carro do marido está próximo do acontecimento, por causa das câmeras do jornal.
Renata –
 Ah, num vai precisar comentar. Ele vai vivenciar ao vivo e a cores essa charanga. Só quero ver a reação dele, quando chegar em casa (sarcasmo).
CORTA PARA:

CENA 27/ CARRO DE CARLOS/ INT. / DIA.
A movimentação de pessoas fica cada vez mais intensa, Carlos sem entender de dentro do carro busca explicações do porque de tanto alvoroço.
Carlos –
               Mais que diabos tá acontecendo nessa praça? Que            vendaval é esse gente? (confuso). Não me resta outra opção a não ser pesquisar o problema (desliga o carro, estaciona num canto da praça e sai caminhando rumo ao movimento).
CORTA PARA:

CENA 28/ PRAÇA DA CIDADE/ CHAFARIZ/ INT./ DIA.
Carlos anda pela praça como se não a conhecesse. Acha estranho num dia normal aquele emaranhado de pessoas tomando espaço de motoristas, uma série de repórteres andando de um lado pro outro. Bastante correria. Ele observa rumo ao chafariz um grande círculo, foi caminhando diretamente pra lá.
Carlos –
 Não acredito! Só pode ser alguma peça. (surpreso ao ver Enéias, no meio daquele contigente de pessoas), como é que pode, Enéias carregar essa multidão de gente? Tá parecendo sermão da montanha! (fala pra si em tom preocupado).
Carlos se aproxima do círculo, e escuta por algum tempo as histórias do amigo.
Carlos –
 Como é possível, meu Deus? Uma pessoa tão inteligente ficar desmiolada desse jeito, que situação deplorável, a do meu amigo (pensativo). Já sei o que vô fazer, na vida as coisas quando não acontecem por bem, acontecem por mal. Infelizmente eu tenho que fazer isso.
Carlos sai andando em passos largos, misteriosamente, seguindo em direção ao seu carro estacionado á alguns metros dali...
CORTA PARA:

CENA 29/ LABORATÓRIO DO ESTADO/ SAGUÃO/ INT./ DIA.
Carlos conversa com a recepcionista.
Carlos –
 Gostaria de conversar com a pessoa responsável pelo setor de aracnídeos de laboratório. É um assunto muito importante, caso de vida ou morte (convence). A recepcionista pega o telefone.
Recepcionista –
 Dr. Álvaro, tem um senhor aqui fora que gostaria de conversar sobre um assunto urgente...hum...hum...tá ok, vô manda-lo entrar (desliga o telefone). Sr. Carlos pode seguir este corredor até o final e entrar a direita, é a primeira sala tem o nome do médico na porta.
A CAM mostra um imenso corredor, com diversas salas dentro do laboratório. Chão imaculadamente branco. Carlos caminha, procura o local indicado pela recepcionista.
CORTA PARA:

CENA 30/ LABORATÓRIO DO ESTADO/ SALA DR. ÁLVARO/ INT./ DIA.
A CAM percorre o recinto cheio de bancadas com uma variedade de equipamentos de laboratório, várias gaiolas com aranhas enormes de todas as espécies. Carlos entra na sala, bate na porta, se depara com Dr. Álvaro de costas no anotando algo na sua prancheta.
Carlos –
 Com licença? Dr. Álvaro? (pergunta).
Dr. Álvaro –
 (direto ao ponto) Pois não, o que deseja?
Carlos –
(caminha rumo ao médico) É uma longa história Dr. Posso me assentar? (olha a cadeira).
Dr. Álvaro –
 (do outro lado) Claro que sim, que falta de cortesia a minha (risos).
Carlos –
 Sem problemas Dr. (em tom compreensivo).
Dr. Álvaro –
 (curioso) Qual o motivo da visita ao laboratório? Geralmente poucas pessoas leigas vêm aqui. Geralmente só os estagiários.
Carlos –
 (sem jeito) Tô precisando de uma forcinha com um amigo, sabe? (sem jeito).
Dr Álvaro –
 (evasivo) Está falando do que exatamente? Seja mais claro por favor?
Carlos –
 (se aproxima do médico sentado) Por quanto me vende o seu arsenal de aranhas? (fala baixinho).
Dr. Álvaro –
 (confuso) Como? Tá ficando louco (balança a cabeça) Essas aranhas são altamente venenosas, sem contar que são objetos para estudos. Num posso fazer isso (explica). 
Carlos –
(suplica) Dr. O senhor vai me entender. É um caso bastante delicado, de acordo com meus planos vai ser fundamental a presença dessas aranhas...
Clima de suspense no ar.
CORTA PARA:

__________________________________________*2° INTERVALO COMERCIAL*

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