Escaleta...
As cenas acontecerão em espaços bastante limitados: elevador, praça, apartamento, shopping, consultório do analista, rua, etc. O protagonista Enéias logo na primeira cena descobre que suas histórias ganhariam emoção com a música. O vilão da história, Deusdete, é quem promove essa mudança, pelo descaso com o assunto do vizinho. Ganha espaço, ao acaso, quando descobre o segredo do dele, usando para o seu próprio interesse. Carlos Melo, um homem culto e cheio de discrição, pensa que o mundo gira em torno de si. Pra ele é um absurdo ver Enéias (seu melhor amigo), expondo sua imagem ao ridículo, contando histórias. É importante destacar que o protagonista tem orgulho do que faz, enquanto seu amigo o critica por ser daquela forma. A razão para uma decisão drástica: mexer com o seu emocional, através do seu maior medo. Deusdete percebe, a existência de um forte motivo para seus interesses. Enéias não era ciente de que Carlos Melo colocara aranhas dentro do elevador, no episódio ele mesmo presenciara todo o ocorrido. A trama girará em torno, desse conflito: o arrependimento associado a ameaça e a grande decepção. O que levanta um questionamento na trama: Por que não, respeitar as diferenças? A verdade, é que Carlos Melo, no final das contas chega a conclusão de que feliz era seu amigo Enéias, justamente por ter aquela capacidade de exercer aquilo que mais adorava. Carlos Melo, tinha uma visão totalmente contrária a do amigo, no entanto acaba reconhecendo que para ser feliz é preciso ter segurança, e valorizar nossos dons, exercendo aquilo que mais nos dá prazer na vida...
*CENAS DO PRIMEIRO CAPÍTULO DA SÉRIE*
CENA 1/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
O tilintar do elevador, abre a porta. Deusdete está vestido com roupa social e pasta na mão, enquanto Enéias entra no elevador, com trajes bem à vontade. A CAM foca o encontro dos dois. Enéias aproxima: Bom dia Deus. A quanto tempo não te vejo (estende-lhe a mão), sabia que um dia desses tava escrevendo um conto com seu nome? Deusdete, meio impaciente: É, mesmo debochado de uma figa! (ríspido) Nem pense contar essas histórias estapafúrdias agora (olha pro relógio), tô atrasadíssimo. Enéias cheio de marra: Que isso, num fale assim, paciência com os outros é sempre bom. Faz bem a saúde, nunca sequer ouviu um conto meu. Deusdete categórico: Olha se pelo menos tivesse um instrumento pra acompanhar essas maluquices, ainda dava pra se contentar com música, mas...Enéias nessa hora, pensativo de mão na boca: É mesmo (estrala os dedos), tu me deu uma ótima ideia. Iluminado.
CORTA PARA:
CENA 2/ APTO DE CARLOS MELO/ INT./ DIA.
Carlos Melo sai pela porta do quarto, ajeitando a camisa social de manga longa nos punhos. Sua esposa caminha dando os últimos retoques. Muito ritmo. Carlos se volta para esposa: Tô atrasado amor, o café tá pronto? Renata responde: É claro amor, nunca esqueço desses detalhes. Carlos Melo fita-a nos olhos: Isso é verdade, num posso reclamar (pensativo). A CAM acompanha a movimentação dos dois indo pra mesa posta do café da manhã. Carlos senta, junto com a esposa, a empregada passa com o bule servindo café. Carlos Melo interage: Nossa Rê, num sei mais o que eu faço com Enéias. Pobre homem, tá meio tãntãm sabe? (pensativo) Renata retruca: Meu amor disso eu sempre soube, né? Mesmo antes de casar contigo, percebia um QI a menos nele, mas você o defende. Nem entro em detalhes. Carlos vira a cadeira olhando pra mulher: Agora é diferente, ele dá muita corda pra esse troço de contar histórias. Isso num dá futuro, tenho que fazer alguma coisa. Afinal ele é meu amigo. Renata fala ironicamente: Sinceramente! Acho que você num deveria se intrometer nisso. Carlos Melo ressalta: Mais querida, é a vida do meu amigo que tá em jogo.
CORTA PARA:
CENA 3/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
O elevador abre a porta, Deusdete dá as costas para Enéias: Tchau seu maluco, vá cantar em outra freguesia. Enéias relutante: Peraí, Deus (estende as mãos) ainda num terminei. Um contigente de pessoas estão aguardando o elevador, observam a situação, Enéias fala: Vamô pessoal, tão precisando do elevador? Entrem que tenho muito coisa pra contar. Os vizinhos se entreolham. CAM foca a porta do elevador fechando.
CORTA PARA:
CENA 4/ RUA/ CALÇADA DO ED. DE CARLOS/ EXT./ DIA.
Carlos sai pela porta principal do prédio, com a esposa: Nossa que dia maravilhoso amor (olha pro sol), se eu tivesse tempo eu ia me refrescar. Renata dando os retoques finais na roupa do marido: O final de semana tá chegando, programas pra dias de sol é o que não faltam nessa cidade. Carlos apressado: Amor tenho que ir o taxi tá me esperando (beija Renata). Renata corresponde: Sim, vê se num chega mais tarde, por favor. Carlos coça a cabeça meio indeciso: Olha amor num garanto, porque tô pensando seriamente em passar na casa do Enéias pra uma longa conversa. O taxista na calçada buzina pra apressar ainda mais Carlos: Vamos, Sr. Carlos o trânsito vai agarrar.
CORTA PARA:
CENA 5/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
Enéias no meio daquele monte de gente é questionado por um vizinho: Uai, Enéias você não cansa de ficar azucrinando a nossa cabeça com suas histórias? Porque já tem bastante tempo que tá nesse elevador. Subindo e descendo. Enéias responde: Seu Luiz, eu gosto de comentar minhas histórias com as pessoas, num vejo a menor graça nessa sua reinvidicação. O vizinho retruca: Ah, ninguém é obrigado. CAM continua focando as pessoas ali dentro, atentas aos contos do Enéias.
CORTA PARA:
CENA 6/ PONTO DE ÔNIBUS/ EXT./ DIA.
Um aglomerado de gente tumultuava o ponto do ônibus. Deusdete meio nervoso: Eu ainda vô ter meu carro. É questão de tempo. Depois de escutar aquela taquara rachada do Enéias, aguento qualquer tranco (falando sozinho). O ônibus chega e pega todo o pessoal no ponto.
CORTA PARA:
CENA 7/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ DIA.
Ao abrir a porta do apto, Enéias corre direto pro sofá da sala. Senta despojadamente, pensando: Aquele veaco do Deusdete, num gosta de escutar minhas histórias, mas ele me deu uma ótima ideia. A CAM foca Enéias levantando seguindo direto para o seu quarto.
CORTA PARA:
CENA 8/ APTO DE ENÉIAS/ QUARTO/ INT./ DIA.
Enéias entra pela porta, abre as cortinas deixando o sol entrar. Segue pra perto do seu armário, abre-o e de lá tira um instrumento com uma capa preta protegendo: Com esse material, o sucesso é garantido? (mexe cuidadosamente no instrumento). Tira a capa do violão, senta a beira da cama, dando suas primeiras passadas. Conta em voz alta um conto, e toca o instrumento. Num impasse, Enéias cheio de expectativas: A prova vai começar no elevador, depois vô pras ruas, praças, locais que meus contos possam inspirar pessoas. Um máximo.
CORTA PARA:
CENA 9/ PLANOS GERAIS DE METRÓPOLES/ EXT./ DIA.
Vista aérea de várias metrópoles brasileiras. Movimentação de pessoas em diversas ruas, trânsito local, paisagens naturais fazendo a passagem do dia com alguns flashes mostrando a noite. A CAM deve mostrar nitidamente o passar das horas.
CORTA PARA:
CENA 10/ ED. MACÁE/ ENTRADA PRINCIPAL/ EXT./ NOITE.
Carlos Melo está parado diante do edifício, enxerga em direção ao apto do amigo. A CAM foca os planos gerais externos do prédio. Carlos fala em off: Enéias, que loucura! Até quando vai continuar dando brecha pra esse tipo de ocupação? (questiona)...
CORTA PARA:
CENA 11/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ NOITE.
Enéias tentando compreender onde Carlos queria chegar: Pra ser sincero, quero saber onde você quer chegar com esse papo? (confuso). Somos amigos a tantos anos, pensei que fosse me apoiar nas decisões. Mas na verdade o que encontro é um crítico que não aceita o amigo como ele é. Carlos anda de um lado pro outro: Não é isso Enéias. O fato é que no mundo aí fora tem tanta oportunidade pra gente inteligente que nem tu. Pra cair nesse marasmo de contar histórias? Isso é pedreira (explica). Enéias se volta para Carlos: Entenda uma coisa: é o que gosto de fazer, abrir mão pra mim nessa altura do campeonato é complicado (objetivo). Carlos retruca: É inacreditável, como você tem mudou. Onde vai parar se continuar assim? Hein? Enéias finaliza abrindo a porta do apto: Deixa que eu me encarrego de decidir, qualquer coisa eu te falo (acena pra saída) Agora por favor, me deixa ficar sozinho? (implora) Vai embora, sua esposa deve tá esperando pro jantar. Carlos caminha em direção a porta sem trocar nenhum palavra, fita o amigo nos olhos e sai do apto.
CORTA PARA:
CENA 12/ ED. MACÁE/ CORREDOR/ INT./ NOITE.
CAM fecha no rosto indignado de Carlos Melo: Isso num vai ficar assim! (decidido), tenho que fazer alguma coisa. A CAM percorre o ambiente bastante organizado, com vários apartamentos, criados mudos e quadros na parede. Carlos se dirige ao elevador, aguarda a chegada dele.
CORTA PARA:
CENA 13/ ED. MACÁE/ ELEVADOR/ INT./ NOITE.
O encontro entre Carlos Melo e Deusdete, acontece informalmente. Sem conhecê-lo, ao entrar no elevador, Carlos o cumprimenta: Boa noite senhor! Deusdete revida com a mesma gentileza: Boa noite! A CAM foca um do lado do outro observando ao redor do pequeno cubículo.
CORTA PARA:
CENA 14/ APTO DE CARLOS/ SALA DE JANTAR/ INT./ NOITE.
A empregada dá os últimos retoques na mesa pro jantar Renata fica ali ajudando: Consuelo é melhor colocar essa toalha de lado, o que acha? (pede sugestão) Consuelo responde: Vai dá um caimento legal, D. Renata. Creio que o Dr. Carlos achará interessante. Renata se volta pra Consuelo: Obrigada, sempre fazendo o melhor pra nos ajudar (consulta o relógio) Só falta aguardar o chefa da casa chegar, né? As duas ficam ali paradas aguardando a chegada de Carlos.
CORTA PARA:
CENA 15/ CARRO DE CARLOS/ INT. / NOITE.
No volante, Carlos conversa pelo seu bip com um conhecido Analista: Dr. Teobaldo é o Carlos Melo, tudo bem? A voz em off do médico: Tudo sim, qual é o motivo da ligação? Carlos Melo comenta: Dr. Tô com um grande problema, um dos meus amigos tá ficando louco. Preciso marcar um momento pra esclarecer tudo no seu consultório. Que tal amanhã? Pode ser? Teobaldo em off: Sim, apesar de que minha agenda tá cheia, mas pode vir sim. Carlos Melo agradece: Obrigado Dr. Passo aí pela manhã, é mais tranquilo.
CORTA PARA:
CENA 16/ APTO DE ENÉIAS/ QUARTO/ INT./ NOITE.
A CAM percorre lentamente o recinto. Imagem do guarda roupa, tapetes, sofá, cômoda, cama. Fecha em Enéias no momento em que está deitado em sua cama. Com as mãos na cabeça pensativo: Até meu amigo critica, o que tanto gosto de fazer. A pessoa que eu achava que poderia contar, tá me virando as costas. Mas nada disso vai apagar o meu sonho, de ser um reconhecido contador de histórias. Pega o violão próximo a cama, e lança mais um de seus contos maravilhosos. A campainha do apto toca. Enéias estranha, caminha até a porta da sala...
CORTA PARA:
CENA 17/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ NOITE.
Um vizinho está na porta e cumprimenta Enéias: Boa noite, Enéias. Estive pensan... Enéias rapidamente corta: O que quer agora Luiz? Veio me criticar ainda mais é? (ríspido) Luiz sem jeito: Muito pelo contrário Enéias, hoje eu realmente peguei pesado, num deveria ter dito aquelas coisas. Tô aqui justamente pra pedir mil desculpas por te criticar. Enéias sente vergonha de sua ignorância: Nossa, entre Luiz te peço desculpas também (sem graça) a verdade é que num tô muito bem, por conta de umas coisas que andam acontecendo comigo. Luiz caminha rumo ao sofá: Eu tô aqui justamente pra reparar meu erro, disposto a escutar o seu mais novo conto. Enéias acha estranho: Jura? (surpreso). Luiz reforça: Sim vizinho, ultimamente preciso refletir sobre a minha vida meus conceitos. Nada melhor que suas histórias pra me inspirar a mudar. Enéias percebe a luz no fim do túnel, rapidamente busca o violão no quarto: Me espera rapidinho. Já volto! Luiz pode ficar tranquilo, num vô embora (passando confiança)...
CORTA PARA:
CENA 18/ APTO DE CARLOS/ SALA DE JANTAR/ INT./ NOITE.
Carlos entra afoito na sala de jantar, Renata sentada ali a espera do marido: Desculpa amor, por fazer esperar. Deveria ter jantado. Renata emite um olhar fulminante: Você sabe muito bem, que não janto sozinha (solitária) A empregada percebe o clima pesar, logo conduz Carlos a mesa: Dr. Carlos se me permite, sente-se (arreda a cadeira pra sentar), que vô serví-los. Carlos agradece: Obrigado Consuelo pela cortesia (pega na mão de Renata) Oh amor, num fique assim. Tive um sério imprevisto, demorei mais do que devia. Renata retruca: Esse é o seu problema, sempre dá prioridade pra outras pessoas, enquanto nossa relação fica em segundo plano. Carlos se ofende: Também num é assim Renata (sério), pensei que me compreendia? (confuso) Renata com expressão fechada: Compreendo até demais, tem sido um grande erro dar mais do que se possa receber. Carlos se levanta da mesa: Quer saber de uma coisa. É melhor o jantar não acontecer, vamos sair daqui com os nervos bastante exaltados. Prefiro que a gente toque em certos assuntos quando ambos estivermos mais tranquilos. Renata chateada: Como queira Dr. Carlos (olhos cheios de lágrimas). O clima pesou bastante, a tentativa de Consuelo foi em vão. Ficou ali parada observando tudo.
CORTA PARA:
CENA 19/ PLANOS GERAIS DE PAISAGENS/ EXT./ NOITE.
Vários clipes com diversas paisagens noturnas, imagens de parques, monumentos históricos, trânsito em viadutos, praças bem iluminadas. Famílias caminhando em volta das lagoas...Passagem da noite para o dia, com um relógio em marca d’água ao fundo trazendo a dimensão das horas.
CORTA PARA:
CENA 20/ PRAÇA DA CIDADE/ CHAFARIZ/ EXT./ DIA.
Uma multidão de pessoas aglomeram no chafariz da praça da cidade. Vários canteiros com vistosas flores, igreja ao fundo em estilo barroco, nos bancos um contingente de pessoas interagindo. A CAM percorre em direção a movimentação de gente próxima ao chafariz. Enéias conta em off: Senhoras e senhores. O espetáculo já vai começar. A quem diga que minhas histórias são sem pé e nem cabeça, porém elas podem ajudar. Ao fundo o som do violão. Fecha em Enéias rodeado de pessoas: Hoje trago uma proposta inusitada pra quem me escuta. É o desafio de construir um conto. Alguém se interessa? (caminha olhando pra todas ali presente). É muito simples. Pode parecer difícil, dentro da cachola tem muita coisa a ser reaproveitada. Tenho certeza de que o que vai ser falado, cada um aqui presente vai refletir e adaptar a sua realidade. Basta escutar com integridade.
CORTA PARA:
CENA 21/ CONSULTÓRIO DO DR. TEOBALDO/ INT./ DIA.
Carlos está sentado diante do médico: Dr. Tenho um amigo que tá fora da realidade. Ele é tão capaz, mas pensa pequeno demais, virando motivo de chacota sabe. Dr. Teobaldo sem entender: Explique melhor o problema dele. Porque recebo pacientes com vários graus de loucura no caso do seu amigo tem que ser mais preciso. Carlos continua: Na verdade, ele cisma que é um contador de histórias, anda pela cidade parando as pessoas em diversos lugares. Dr. Teobaldo retruca: E o que há de errado nisso? Vejo como algo extremamente normal. É uma atividade comum. Carlos tenta de toda forma convencer o médico da loucura do amigo: O Sr. Num tá entendendo, ele tá ficando alienado com esse troço de sair alugando as pessoas por aí. Fala coisa com coisa, Dr. Ninguém o escuta, mas continua insistindo nessa besteira. Dr. Teobaldo tamborilando os dedos com a caneta na mão: Bem a única solução (pensativo) seria trazê-lo aqui pra fazer uma breve avaliação da situação. Depois chego a conclusão sobre que tipo de tratamento iniciar. Enquanto isso é importante, colocá-lo a par de que é necessário aceitar o atendimento, caso contrário fica difícil ajudar. Carlos Melo preocupado: Aí é que tá a merda toda Dr. aceitar vir aqui, assim a troco de nada.
CORTA PARA:
CENA 22/ DEPTO FINANCEIRO DE LOJA/ SALA/ INT./ DIA.
Deusdete sentado na sua mesa, analisando alguns papéis, pega o controle remoto da televisão, liga. Nessa hora aparece o noticiário, mostrando um repórter gravando a façanha de Enéias na praça da cidade. Reuniu um conglomerado de pessoas, todas entretidas com os contos daquele moço. Com direito a trânsito embananado. Uma verdadeira repercussão. O repórter fala em off: Estamos daqui da praça da cidade, pra mostrar um feito inusitado. Um senhor de meia idade está distraindo as pessoas com histórias bem interessantes. Pra acompanhar o repertório ele toca violão enquanto eloquentemente conta suas façanhas...Deusdete levanta perplexo de sua mesa, caminhando rumo ao sofá da sua sala: Não acredito! (surpreso), aquele maluco virando manchete de jornal de televisão. Isso já é demais. Venho a tanto tempo querendo conseguir uma brecha como essa e em tão pouco tempo esse cara já conseguiu? Confesso que é de tirar o chapéu!
CORTA PARA:
CENA 23/ SAGUÃO ED. MACÁE/ PORTA PRINCIPAL/ INT./ DIA.
Os moradores do prédio, batem palmas pra Enéias. Todos focados na televisão. O porteiro do Ed. Macáe anuncia em voz alta: Esse é o nosso orgulho! Seu Enéias aparecendo em televisão. Viva ao Seu Enéias, Todos os moradores: Viva! A CAM mostra bastante folia no recinto. O saguão ficou cheio de gente comemorando o sucesso do vizinho.
CORTA PARA:
CENA 24/ APTO DE CARLOS/ SUÍTE/ INT./ DIA.
Renata está da camisola, caminha rumo ao telefone. Detalhe pra televisão ligada com as últimas notícias. Disca o número do marido: Bom dia, Carlos! (seca). Carlos responde em off: Bom dia! (seco). Renata enquanto assiste a televisão pergunta: Você já ligou a TV hoje? Acho que vai gostar de saber uma coisa.
CORTA PARA:
CENA 25/ CARRO DE CARLOS/ INT./ DIA.
Ao telefone, Carlos está meio confuso: Ainda não liguei, o que tá acontecendo? Sem perceber, Carlos estava no meio de um tumulto de pessoas, próximas a praça da cidade.
CORTA PARA:
CENA 26/ APTO DE CARLOS/ SUÍTE/ INT./ DIA.
Renata responde: Acho melhor não falar, é melhor você enxergar com os próprios olhos...(desliga o telefone). Observando o noticiário, Renata percebe que o carro do marido está próximo do acontecimento, por causa das câmeras do jornal: Ah, num vai precisar comentar. Ele vai vivenciar ao vivo e a cores essa charanga. Só quero ver a reação dele, quando chegar em casa (sarcasmo).
CORTA PARA:
CENA 27/ CARRO DE CARLOS/ INT. / DIA.
A movimentação de pessoas fica cada vez mais intensa, Carlos sem entender de dentro do carro busca explicações do porque de tanto alvoroço: Mais que diabos tá acontecendo nessa praça? Que vendaval é esse gente? (confuso). Não me resta outra opção a não ser pesquisar o problema (desliga o carro, estaciona num canto da praça e sai caminhando rumo ao movimento).
CORTA PARA:
CENA 28/ PRAÇA DA CIDADE/ CHAFARIZ/ INT./ DIA.
Carlos anda pela praça como se não a conhecesse. Acha estranho num dia normal aquele emaranhado de pessoas tomando espaço de motoristas, uma série de repórteres andando de um lado pro outro. Bastante correria. Ele observa rumo ao chafariz um grande círculo, foi caminhando diretamente pra lá: Não acredito! Só pode ser alguma peça. (surpreso ao ver Enéias, no meio daquele contigente de pessoas), como é que pode, um Enéias carregar essa multidão de gente? Tá parecendo sermão da montanha! (fala pra si em tom preocupado). Carlos se aproxima do círculo, e escuta por algum tempo as histórias do amigo: Como é possível, meu Deus? Uma pessoa tão inteligente ficar desmiolada desse jeito, que situação deplorável, a do meu amigo (pensativo). Já sei o que vô fazer, na vida as coisas quando não acontecem por bem, acontecem por mal. Infelizmente eu tenho que fazer isso. Carlos sai andando em passos largos, misteriosamente, seguindo em direção ao seu carro estacionado á alguns metros dali...
CORTA PARA:
CENA 29/ LABORATÓRIO DO ESTADO/ SAGUÃO/ INT./ DIA.
Carlos conversa com a recepcionista: Gostaria de conversar com a pessoa responsável pelo setor de aracnídeos de laboratório. É um assunto muito importante, caso de vida ou morte (convence). A recepcionista pega o telefone: Dr. Álvaro, tem um senhor aqui fora que gostaria de conversar sobre um assunto urgente...hum...hum...tá ok, vô manda-lo entrar (desliga o telefone). Sr. Carlos pode seguir este corredor até o final e entrar a direita, é a primeira sala tem o nome do médico na porta. A CAM mostra um imenso corredor, com diversas salas dentro do laboratório. Chão imaculadamente branco. Carlos caminha, procura o local indicado pela recepcionista.
CORTA PARA:
CENA 30/ LABORATÓRIO DO ESTADO/ SALA DR. ÁLVARO/ INT./ DIA.
A CAM percorre o recinto cheio de bancadas com uma variedade de equipamentos de laboratório, várias gaiolas com aranhas enormes de todas as espécies. Carlos entra na sala, bate na porta, se depara com Dr. Álvaro de costas no anotando algo na sua prancheta: Com licença? Dr. Álvaro? (pergunta). Dr. Álvaro direto ao ponto: Pois não, o que deseja? Carlos Melo caminha rumo ao médico: É uma longa história Dr. Posso me assentar? (olha a cadeira). Dr. Álvaro do outro lado: Claro que sim, que falta de cortesia a minha (risos). Carlos retruca: Sem problemas Dr. (em tom compreensivo). Dr. Álvaro curioso: Qual o motivo da visita ao laboratório? Geralmente poucas pessoas leigas vêm aqui. Geralmente só os estagiários. Carlos sem jeito: Tô precisando de uma forcinha com um amigo, sabe? (sem jeito). Dr Álvaro vai direto ao ponto: Está falando do que exatamente? Seja mais claro por favor? Carlos se aproxima do médico sentado: Por quanto me vende o seu arsenal de aranhas? (fala baixinho). Dr. Álvaro confuso: Como? Tá ficando louco (balança a cabeça) Essas aranhas são altamente venenosas, sem contar que são objetos para estudos. Num posso fazer isso (explica). Carlos Melo suplica: Dr. O senhor vai me entender. É um caso bastante delicado, de acordo com meus planos vai ser fundamental a presença dessas aranhas... Clima de suspense no ar.
CORTA PARA:
CENA 31/ RUAS DA CIDADE/ EXT./ DIA.
Uma onda de repórteres persegue Enéias pelas ruas. Um deles aborda- o na rua: Contador de Histórias poderia me dá um tempinho? Enéias responde educadamente: Claro, o que quer de mim? (animado) O repórter começa com a chuva de perguntas: Como descobriu o seu dom? Porque quis seguir a carreira de contador de histórias? Qual é a satisfação em levar coisas boas pras pessoas? Enéias confuso: Vamos com calma senhores. Perguntem uma coisa de cada vez. Assim num dô conta de atender aos pedidos (risos). A CAM mostrará um pouco dessa trajetória que ele vivia diariamente. A impressão é que ele esqueceu de tudo e de todos.
CORTA PARA:
CENA 32/ RUA DO ED. MACAÉ/ CALÇADA/ INT./ DIA.
O carro de Carlos Melo, chega na porta do Ed. Macaé. Recebe um telefonema enquanto estaciona o carro: Oi! Pode deixar, hoje chego atrasado na firma. Aconteceu uns imprevistos lá em casa, faço hora extra hoje, num tem problema (desliga o telefone). É agora ou nunca. Vou dá uma de bobo, e colocar essas caranguejeiras no elevador... CAM mostra a frente do edifício, e Carlos entra pelo saguão com uma bolsa.
CORTA PARA:
CENA 33/ ED. MACAÉ/ ELEVADOR/ INT./ DIA.
Carlos Melo, passa despercebido na recepção e se adentra no elevador. Nessa hora, Deusdete sentado na recepção do prédio lendo jornal, percebe a movimentação estranha de Carlos, resolve seguí-lo discretamente. Carlos dentro do cubículo, programa o equipamento pra subir no andar do apto de Enéias. Chegando lá de portas abertas, sem ao menos se preocupar com alguém por ali naquela hora, é observado por Deusdete na pilastra ao fundo de acesso a escada da área de serviço. Local por onde subiu. Carlos se desfaz da bolsa pendurada nos ombros: Preciso de habilidade, senão alguém me pega. É um serviço muito arriscado (falava pra si mesmo). Enquanto isso tira da bolsa, um recipiente cheio de aranhas, e colocar-as dentro das frestas do compartimento do elevador, uma forma de assustar seu amigo.
CORTA PARA:
CENA 34/ ED. MACAÉ/ CORREDOR/ INT./ DIA.
Deusdete observa de longe todo o trabalho de Carlos: Mais que diabos aquele homem tá fazendo? (curioso) será que é uma vingança? Olha lá se pode, colocar aranha em fresta de elevador. Deve ter algum motivo forte pra ele tá inventando isso (pensativo).
CORTA PARA:
CENA 35/ PLANOS GERAIS DAS PAISAGENS NATURAIS/ EXT./ DIA.
Vista áerea de um monte de paisagens naturais. Praças, movimentação de pessoas fazendo corrida pelas calçadas, um relógio em marca d’água se movimentando pelas paisagens mostrando a passagem do dia para a noite.
CORTA PARA:
CENA 36/ APTO DE CARLOS MELO/ SUÍTE/ INT./ NOITE.
Carlos está pensativo, deitado na cama. Enquanto Renata sai do banheiro secando os cabelos: O que que foi dessa vez? Tá com uma cara...(preocupada). Carlos mexe na cama: Né nada amor. Pensando algumas coisas da empresa (nisso pega o telefone sem fio do criado mudo). Renata logo pergunta: Pra quem vai ligar tão tarde? (curiosa). Carlos responde: Pro Enéias! (seguro) Quero convidar pra ir ao cinema comigo amanhã, topa? Renata ríspida: Mas nem morta, ir num encontro como esses? Jamais. Mas vá sim, é seu amigo de longa data (refletiu).
CORTA PARA:
CENA 37/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ NOITE.
Da cozinha, Enéias escuta o telefone tocar. Sai com um avental, e bacia na mão pra atender: Alô? (desajeitado)...Ah é você! (tom frio)...
CORTA DESCONTÍNUO, para apto de Carlos Melo. Carlos Melo responde: Sim, ainda tá chateado comigo? Entenda que é pro seu bem, Enéias pelo amor de Deus! (suplica). Enéias completa em off: O pior que tô! Não posso esconder a profunda decepção que tá me causando (objetivo). Somos amigos há tantos anos, e descobri que nem sequer me apoia. Carlos defende-se: Se isso fosse verdade, até concordaria com você. O negócio é que precisamos sair pra esclarecer esse mal entendido. Enéias completa em off: Num me venha com encontros aqui no apto, porque já vi que sempre acaba em merda (adverte). Carlos conclui: Que tal um cinema? Liguei pra isso, combinar um filme pra relembrar quando éramos jovens. Topa? (na expectativa). Enéias pensativo em off: Hum...pode até ser! Que horas? Carlos define: Ás 15:00hs dá pra você? Enéias responde: Sim, boa hora. A conversa continua em off. CAM sai discretamente do local onde está Carlos, focando em Renata na espreita observando.
CORTA PARA:
CENA 38/ APTO DE ENÉIAS/ COZINHA/ INT./ NOITE.
Depois de desligado o telefone, Enéias retorna pra cozinha, de bacia na mão, preparando o jantar. Pensativo: Esse encontro promete! Já sei o que vô fazer. É só terminar aqui, ajeitar tudo e bolar alguma coisa pro meu próximo espetáculo. Carlos num perde por esperar (risos).
CORTA PARA:
CENA 40/ STOCK SHOTS DAS CAPITAIS BRASILEIRAS/ EXT./ NOITE.
Vista aérea da movimentada Av: Paulista e seu percurso a noite, Cristo Redentor, Parque Municipal, Pelourinho, e uma diversidade de artigos regionais de artesanato dos quatro cantos do país. Passagem da noite pro dia. Com o relógio em marca d’água movimentando-se entre as paisagens.
CORTA PARA:
CENA 41/ SHOPPING/ CINEMA/ INT./ DIA.
Carlos Melo está a espera do amigo. Levanta quando avista-o chegando: Oi Eneias, tudo bem amigo? (abraça-o) Que filme vamos assistir? (observando o que ele levava nas costas). Enéias radiante: Hoje fica por sua conta. Da última vez que viemos no cinema eu fiquei encarregado de escolher o filme. Carlos confuso: É mesmo? Quando foi a última vez? (curioso) Enéias envaidecido por lembrar: Há 15 anos atrás (entre risos), depois disso nunca mais viemos. Carlos se volta pro amigo: Quanto tempo se passou, e ainda continuamos eternos companheiros, num acha? Enéias evasivo: Bem, eu poderia dizer o mesmo até anteontem, quando provou que não me apoia (tom frustrado). Carlos fica sério: É bom pararmos por aqui. Estragar um momento como esses seria uma judiação! Eneias completa: Concordo plenamente. A CAM foca Carlos bastante curioso com a capa que Enéias carrega nas costas, sem rodeios pergunta: O que leva nas costas? (observa) Enéias ironicamente responde: Ahh, sim. Tava demorando querer saber (risos). É porque preparei um espetáculo depois da seção pipoca, sabe? Carlos Melo vermelho de vergonha: Não acredito! (perplexo). Enéias sustenta a ideia: Uai, o que tem demais? É só mais uma nova criada por mim! (seguro). Carlos expressa tristeza: Te chamei pra esse momento fosse nosso, e não pra contar histórias. Clima tenso no ar.
CORTA PARA:
CENA 42/ CINEMA/ SALA DE PROJEÇÃO/ INT./ DIA.
Carlos está sentado ao lado de Enéias, observando-o comer pipoca, concentrado no filme: Por favor, Enéias, não faça isso. Que mico! Enéias se volta pra ele: Olha se for pra ficar me criticando, eu saio daqui agora. Quero ver o filme, pombas! (nervoso). Carlos Melo continua preocupado, Enéias tranquilo e calmo. CAM foca o momento em que Carlos comenta: Ele não perde por esperar. Essa festa vai acabar, vai ver. Nota: aqui vem a passagem do tempo do filme...
CORTA PARA:
CENA 42/ SHOPPING/BILHETERIA DO CINEMA/ INT./ DIA.
A multidão de pessoas sai, após o filme já terminado. Enéias e Carlos são praticamente os últimos a sair da seção, Enéias se planta num canto próximo a bilheteria, as pessoas passam por ali observando toda a organização do Enéias: É hoje que essas pessoas vão conhecer o talento de um contador de histórias. Carlos Melo, apreensivo, tenta distrair a atenção das pessoas, mas por fim começam a se aglomerar: Calma pessoal (tenso), ele só tá fazendo um teste. Ninguém dava ouvidos para Carlos. De repente o aquecimento do violão começa, algumas notas são apuradas. Enéias interage com o público ali presente com suas histórias. Na medida em que tocava e contava, mais pessoas se aproximavam da atração. A fila na bilheteria para os filmes ficaram vazias por uns instantes. Carlos Melo, sai de fininho.
CORTA PARA:
CENA 43/ PORTARIA PRINCIPAL DO SHOPPING/ INT./ DIA.
Carlos Melo está afobado, aborda uns seguranças na porta do shopping: Por favor, venham comigo. Parece que tem um louco que se abancou na porta do cinema e tá corrompendo local com um tanto de gente. Vamos comigo por favor. Os seguranças se entreolham e seguem Carlos Melo. A CAM vai mostrar o percurso deles dentro do shopping. Seguindo pelo térreo, subindo escada rolante, etc...
CORTA PARA:
CENA 44/ SHOPPING/ BILHETERIA DO CINEMA/ INT. / DIA.
E chega Carlos Melo, com mais ou menos uns 5 seguranças. A multidão estava grande demais conter aquelas pessoas seria praticamente impossível. Um dos seguranças olhou pra seu parceiro: Ah, num é nada. É mais um desses contadores de histórias que vem fazer atração no shopping. Num há nada de errado. Voltam-se pra Carlo Melo: Senhor num tem nada demais aqui, é só um contador de histórias (explicam). Carlos Melo fica pasmo com os seguranças: Será que vocês num percebem que ele tá corrompendo a passagem dentro do shopping. Um dos seguranças: Senhor, o shopping é um reduto de pessoas capitalistas, nossa filosofia é clara, quanto mais pessoas melhor são os investimentos dos lojistas. Carlos Melo sentou num banco ali próximo paralisado, enquanto olhava pra Enéias e aquelas pessoas ao seu redor.
CORTA PARA:
CENA 45/ CARRO DE CARLOS/ INT./ DIA.
Clima estranho dentro do carro, Carlos Melo com expressão tensa: Você num tem noção da vergonha que passei Eneías. Enéias se volta pro amigo: Que vergonha Carlos? (sereno) Você ficou parado como um expectador, pior é pra mim me sujeitar a encarar toda aquela gente. Quem deveria tá falando isso era eu e não você. Carlos Melo responde rispidamente: Enéias, tô chegando a conclusão de que tu é um louco. Isso já virou neurose. Enéias sente-se ofendido: Se for pra ficar ofendendo, pode me deixar por aqui mesmo, caminho o restante a pé. Me respeite, em nome da nossa amizade, para com esse preconceito bobo. Enxergue a realidade homem, as pessoas gostam das minhas histórias. Carlos Melo se volta pro amigo: Meu Deus, como as pessoas podem viver fora da realidade desse jeito, é incrível. Enéias vô te levar em um psiquiatra. Enéias decide: Pare o carro agora! (ordena) Não quero ir mais contigo até o meu apartamento, chega disso tudo, já cansei. Carlos Melo para o seu carro, deixa Enéias numa calçada qualquer. Segue a pé até o seu apartamento, a CAM foca Enéias cruzando as ruas da cidade pensativa...
CORTA PARA:
CENA 46/ SAGUÃO DO ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
Enéias cruza o saguão do edifício, cabisbaixo, o porteiro observa a chegada dele. Deusdete fica a espreita, aguardando por Enéias, percebe que ele entra no elevador, segue atrás. A CAM mostra toda a movimentação deles (ângulos privilegiados).
CORTA PARA:
CENA 47/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
O clima de tristeza está no ambiente. Enéias nem sequer olhou pro lados, afim de contar suas histórias. Deusdete o observa, deduz ter acontecido algum coisa com Enéias, arrisca puxar assunto: Oi Enéias tudo bem? (em tom tranquilo). Enéias para por um instante, levanta a cabeça: Deus? Você falando com essa calma toda? Estou bem, graças a Deus. Estranho você me dando atenção. Deusdete contorna o comentário: Pois é Enéias, é porque hoje num estou tão tenso como é o de costume. O trabalho acaba com o meu humor, é por isso. Enéias retruca: Então meu caro colega de edifício, te dou um conselho. Saia desse emprego, porque já faz um bom tempo que você tá de mau humor viu, isso é perigoso pra saúde. Deusdete sente uma pontada de raiva com o comentário de Enéias, mas contêm a emoção: Tem razão Enéias. Agora muito me admira, te ver desse jeito tão triste, tá acontecendo alguma coisa? Nessa hora o elevador para no andar do apto de Enéias, e sem ele perceber, Deusdete o segue interagindo com ele. A CAM foca o momento dos dois, fechando em seus rostos.
CORTA PARA:
CENA 48/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ DIA.
Enéias convida Deusdete pra entrar: Sente-se Deus, vô só colocar esse objeto (o violão que tá em seu braço), no quarto e já volto. Deusdete responde: Pode ir sossegado (sereno) eu aguardo. A CAM acompanha a movimentação de Enéias no apto. Deusdete da sala pergunta: falando sério, nunca te vi triste, sempre anda de bem com a vida (tentando puxar alguma coisa). Enéias responde em off do quarto: Problemas Deus, mais problemas. Deusdete insiste: Conte-me, quem sabe num posso ajuda-lo? Enéias caminha pelo corredor do apto, chegando até a sala: De repente, até porque preciso desabafar com alguém. É o meu amigo Carlos, não aceita o fato de eu ser um contador de histórias, tem vergonha do que faço, sabe. Deusdete com ar pensativo: Mas porque disso tudo, afinal amigos foram feitos pra compreender uns aos outros. Enéias se volta pra Deusdete: Pois é Deus, Carlos sempre foi um homem que me apoiou em tudo, agora tem mudado muito pra falar a verdade num conhecia esse lado egoísta dele. Deusdete dá uma de consolador: Já tentou esclarecer as coisas pra ele? Quem sabe com uma boa com. Enéias interrompe: Não, não, não (mexendo com as mãos), Já tentei, é irredutível entende só o lado dele, esquece que a felicidade das pessoas não gira em torno das vontades e os seus desejos. Deusdete percebe um clima desagradável entre os amigos: Nesse caso, você tem outras pessoas com quem pode confiar. Estou a sua inteira disposição, pode contar comigo pro que der e vier, ok? (pega as mãos de Enéias). Enéias fica surpreso com a postura do vizinho: Vou precisar mesmo. Nesse momento um amigo pra compartilhar minhas tristezas num é nada mal. Pode deixar Deus você será meu novo confidente. A CAM foca o rosto de Deusdete satisfeito com o seu feito, uma espécie de olhar maquiavélico.
CORTA PARA:
*FIM*
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