domingo, 8 de abril de 2012

PRIMEIRO BLOCO DE: ENTRE ARANHA, HÁ QUEM GANHA...

CAPÍTULO 001...

CENA 1/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
O tilintar do elevador, abre a porta. Deusdete está vestido com roupa social e pasta na mão, enquanto Enéias entra no elevador, com trajes bem à vontade. A CAM foca o encontro dos dois.
Enéias -
(aproxima) Bom dia Deus. A quanto tempo                 não te vejo (estende-lhe a mão), sabia que um dia desses tava escrevendo um conto com seu nome?
Deusdete –
(impaciente) É, mesmo debochado de uma figa! (ríspido) Nem pense contar essas histórias estapafúrdias agora (olha pro relógio), tô atrasadíssimo.
Enéias –
 (cheio de marra) Que isso, num fale assim, paciência com os outros é sempre bom. Faz bem a saúde, nunca sequer ouviu um conto meu.
Deusdete –
 (categórico) Olha se pelo menos tivesse um instrumento pra acompanhar essas maluquices, ainda dava pra se contentar com música, mas...
Enéias –
 (pensativo de mão na boca) É mesmo (estrala os dedos), tu me deu uma ótima ideia. Iluminado.
CORTA PARA:
CENA 2/ APTO DE CARLOS MELO/ INT./ DIA.
Carlos Melo sai pela porta do quarto, ajeitando a camisa social de manga longa nos punhos. Sua esposa caminha dando os últimos retoques. Muito ritmo.
Carlos –
 (se volta para esposa) Tô atrasado amor, o café tá pronto?
 Renata –
 É claro amor, nunca esqueço desses detalhes.
Carlos –
 fita-a nos olhos: Isso é verdade, num posso reclamar (pensativo).
A CAM acompanha a movimentação dos dois indo pra mesa posta do café da manhã. Carlos senta, junto com a esposa, a empregada passa com o bule servindo café.
Carlos -
Nossa Rê, num sei mais o que eu faço com Enéias. Pobre homem, tá meio tãntãm sabe? (pensativo)
Renata –
(retruca) Meu amor disso eu sempre soube, né? Mesmo antes de casar contigo, percebia um QI a menos nele, mas você o defende. Nem entro em detalhes.
Carlos –
 (vira a cadeira olhando pra mulher) Agora é diferente, ele dá muita corda pra esse troço de contar histórias. Isso num dá futuro, tenho que fazer alguma coisa. Afinal ele é meu amigo.
Renata –
 (irônica) Sinceramente! Acho que você num deveria se intrometer nisso.

Carlos –
 Mais querida, é a vida do meu amigo que tá em jogo.
CORTA PARA:

CENA 3/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
O elevador abre a porta.
 Deusdete –
 (dá as costas para Enéias) Tchau seu maluco, vá cantar em outra freguesia.
Enéias –
 Peraí, Deus (estende as mãos) ainda num terminei.
Um contingente de pessoas estão aguardando o elevador, observam a situação.
 Enéias –
 Vamô pessoal, tão precisando do elevador? Entrem que tenho muito coisa pra contar.
Os vizinhos se entreolham. CAM foca a porta do elevador fechando.
CORTA PARA:

CENA 4/ RUA/ CALÇADA  DO ED. DE CARLOS/ EXT./ DIA.
Carlos sai pela porta principal do prédio, com a esposa.
Carlos -  
Nossa que dia maravilhoso amor (olha pro sol), se eu tivesse tempo eu ia me refrescar.
Renata –
 (dando os retoques finais na roupa do marido) O final de semana tá chegando, programas pra dias de sol é o que não faltam nessa cidade.


Carlos –
 (apressado) Amor tenho que ir o taxi tá me esperando (beija Renata).
Renata –
 (corresponde) Sim, vê se num chega mais tarde, por favor.
Carlos –
 (coça a cabeça meio indeciso) Olha amor num garanto, porque tô pensando seriamente em passar na casa do Enéias pra uma longa conversa.
O taxista na calçada buzina pra apressar ainda mais Carlos.
Taxista –
 Vamos, Sr. Carlos o trânsito vai agarrar.
CORTA PARA:

CENA 5/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
Enéias no meio daquele monte de gente é questionado por um vizinho.
Luiz –
 Uai, Enéias você não cansa de ficar azucrinando a nossa cabeça com suas histórias? Porque já tem bastante tempo que tá nesse elevador. Subindo e descendo.
Enéias –
 Seu Luiz, eu gosto de comentar minhas histórias com as pessoas, num vejo a menor graça nessa sua reinvidicação.
Luiz -
(retruca) Ah, ninguém é obrigado.
 CAM continua focando as pessoas ali dentro, atentas aos contos do Enéias.
CORTA PARA:

CENA 6/ PONTO DE ÔNIBUS/ EXT./ DIA.
Um aglomerado de gente tumultuava o ponto do ônibus.
Deusdete –
(nervoso) Eu ainda vô ter meu carro. É questão de tempo. Depois de escutar aquela taquara rachada do Enéias, aguento qualquer tranco (falando sozinho).
O ônibus chega e pega todo o pessoal no ponto.
CORTA PARA:

CENA 7/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ DIA.
Ao abrir a porta do apto, Enéias corre direto pro sofá da sala. Senta despojadamente.
Enéias –
(pensativo) Aquele veaco do Deusdete, num gosta de escutar minhas histórias, mas ele me deu uma ótima ideia.
A CAM foca Enéias levantando seguindo direto para o seu quarto.
CORTA PARA:

CENA 8/ APTO DE ENÉIAS/ QUARTO/ INT./ DIA.
Enéias entra pela porta, abre as cortinas deixando o sol entrar. Segue pra perto do seu armário, abre-o e de lá tira um instrumento com uma capa preta protegendo.
Enéias –
 Com esse material, o sucesso é garantido? (mexe cuidadosamente no instrumento).
Tira a capa do violão, senta a beira da cama, dando suas primeiras passadas. Conta em voz alta um conto, e toca o instrumento. Num impasse.
 Enéias –
 A prova vai começar no elevador, depois vô pras ruas, praças, locais que meus contos possam inspirar pessoas. Um máximo.
CORTA PARA:

CENA 9/ PLANOS GERAIS DE METRÓPOLES/ EXT./ DIA.
Vista aérea de várias metrópoles brasileiras. Movimentação de pessoas em diversas ruas, trânsito local, paisagens naturais fazendo a passagem do dia com alguns flashes mostrando a noite. A CAM deve mostrar nitidamente o passar das horas.
CORTA PARA:

CENA 10/ ED. MACÁE/ ENTRADA PRINCIPAL/ EXT./ NOITE.
Carlos Melo está parado diante do edifício, enxerga em direção ao apto do amigo. A CAM foca os planos gerais externos do prédio.
Carlos - (fala em off)
 Enéias, que loucura! Até quando vai continuar dando brecha pra esse tipo de ocupação? (questiona)...
CORTA PARA:

CENA 11/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ NOITE.
Enéias tentando compreender onde Carlos queria chegar.
Enéias -
Pra ser sincero, quero saber onde você quer chegar com esse papo? (confuso). Somos amigos a tantos anos, pensei que fosse me apoiar nas decisões. Mas na verdade o que encontro é um crítico que não aceita o amigo como ele é.
Carlos –
(anda de um lado pro outro) Não é isso Enéias. O fato é que no mundo aí fora tem tanta oportunidade pra gente inteligente que nem tu. Pra cair nesse marasmo de contar histórias? Isso é pedreira (explica).

Enéias –
 (se volta para Carlos) Entenda uma coisa, é o que gosto de fazer, abrir mão pra mim nessa altura do campeonato é complicado (objetivo).
Carlos –
 É inacreditável, como você tem mudou. Onde vai parar se continuar assim? Hein?
Enéias finaliza abrindo a porta do apto.
Enéias –
 Deixa que eu me encarrego de decidir, qualquer coisa eu te falo (acena pra saída) Agora por favor, me deixa ficar sozinho? (implora) Vai embora, sua esposa deve tá esperando pro jantar.
Carlos caminha em direção a porta sem trocar nenhum palavra, fita o amigo nos olhos e sai do apto.
CORTA PARA:

CENA 12/ ED. MACÁE/ CORREDOR/ INT./ NOITE.
CAM fecha no rosto indignado de Carlos Melo.
Carlos –
 Isso num vai ficar assim! (decidido), tenho que fazer alguma coisa.
A CAM percorre o ambiente bastante organizado, com vários apartamentos, criados mudos e quadros na parede. Carlos se dirige ao elevador, aguarda a chegada dele.
CORTA PARA:




CENA 13/ ED. MACÁE/ ELEVADOR/ INT./ NOITE.
O encontro entre Carlos Melo e Deusdete, acontece informalmente. Sem conhecê-lo, ao entrar no elevador, Carlos o cumprimenta.
Carlos –
 Boa noite senhor!
Deusdete –
(com a mesma gentileza) Boa noite!
A CAM foca um do lado do outro observando ao redor do pequeno cubículo.
CORTA PARA:

CENA 14/ APTO DE CARLOS/ SALA DE JANTAR/ INT./ NOITE.
A empregada dá os últimos retoques na mesa pro jantar.
 Renata –
  (ajuda) Consuelo é melhor colocar essa toalha de lado, o que acha? (pede sugestão)
Consuelo –
 Vai dá um caimento legal, D. Renata. Creio que o Dr. Carlos achará interessante.
Renata –
 (se volta pra Consuelo) Obrigada, sempre fazendo o melhor pra nos ajudar (consulta o relógio) Só falta aguardar o chefe da casa chegar, né?
As duas ficam ali paradas aguardando a chegada de Carlos.
CORTA PARA:

CENA 15/ CARRO DE CARLOS/ INT. / NOITE.
No volante, Carlos conversa pelo seu bip com um conhecido Analista.
Carlos –
 Dr. Teobaldo é o Carlos Melo, tudo bem?
A voz em off do médico...
Teobaldo –
 Tudo sim, qual é o motivo da ligação?
Carlos –
(comenta) Dr. Tô com um grande problema, um dos meus amigos tá ficando louco. Preciso marcar um momento pra esclarecer tudo no seu consultório. Que tal amanhã? Pode ser?
Teobaldo -  (em off)
 Sim, apesar de que minha agenda tá cheia, mas pode vir sim.
Carlos –
(agradece) Obrigado Dr. Passo aí pela manhã, é mais tranquilo.
CORTA PARA:

CENA 16/ APTO DE ENÉIAS/ QUARTO/ INT./ NOITE.  
A CAM percorre lentamente o recinto. Imagem do guarda roupa, tapetes, sofá, cômoda, cama. Fecha em Enéias no momento em que está deitado em sua cama. Com as mãos na cabeça pensativo.
Enéias –
 Até meu amigo critica, o que tanto gosto de fazer. A pessoa que eu achava que poderia contar, tá me virando as costas. Mas nada disso vai apagar o meu sonho, de ser um reconhecido contador de histórias.
Pega o violão próximo a cama, e lança mais um de seus contos maravilhosos. A campainha do apto toca. Enéias estranha, caminha até a porta da sala...
CORTA PARA:



CENA 17/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ NOITE.
Um vizinho está na porta e cumprimenta.
Luiz –
 Boa noite, Enéias. Estive pensan...
Enéias –
 (rapidamente corta) O que quer agora Luiz? Veio me criticar ainda mais é? (ríspido)
Luiz –
(sem jeito) Muito pelo contrário Enéias, hoje eu realmente peguei pesado, num deveria ter dito aquelas coisas. Tô aqui justamente pra pedir mil desculpas por te criticar.
Enéias –
 (envergonhado) Nossa, entre Luiz te peço desculpas também (sem graça) a verdade é que num tô muito bem, por conta de umas coisas que andam acontecendo comigo.
Luiz –
 (caminha rumo ao sofá) Eu tô aqui justamente pra reparar meu erro, disposto a escutar o seu mais novo conto.
Enéias –
 (acha estranho) Jura? (surpreso).
Luiz –
Sim vizinho, ultimamente preciso refletir sobre a minha vida meus conceitos. Nada melhor que suas histórias pra me inspirar a mudar.
Enéias percebe a luz no fim do túnel, rapidamente busca o violão no quarto.
Enéias –
 Me espera rapidinho. Já volto!

Luiz –
 pode ficar tranquilo, num vô embora (passando confiança)...
CORTA PARA:

CENA 18/ APTO DE CARLOS/ SALA DE JANTAR/ INT./ NOITE.
Carlos entra afoito na sala de jantar, Renata sentada ali a espera do marido.
Carlos –
Desculpa amor, por fazer esperar. Deveria ter jantado.
Renata –
 (emite um olhar fulminante) Você sabe muito bem, que não janto sozinha (solitária).
 A empregada percebe o clima pesar, logo conduz Carlos a mesa.
Consuelo –
 Dr. Carlos se me permite, sente-se (arreda a cadeira pra sentar), que vô serví-los.
Carlos –
 (agradece) Obrigado Consuelo pela cortesia (pega na mão de Renata) Oh amor, num fique assim. Tive um sério imprevisto, demorei mais do que devia.
Renata -  
(retruca) Esse é o seu problema, sempre dá prioridade pra outras pessoas, enquanto nossa relação fica em segundo plano.
Carlos –
(ofendido) Também num é assim Renata (sério), pensei que me compreendia? (confuso)

Renata –
 (com expressão fechada) Compreendo até demais, tem sido um grande erro dar mais do que se possa receber.
Carlos –
 (se levanta da mesa) Quer saber de uma coisa. É melhor o jantar não acontecer, vamos sair daqui com os nervos bastante exaltados. Prefiro que a gente toque em certos assuntos quando ambos estivermos mais tranquilos.
Renata –
 (chateada) Como queira Dr. Carlos (olhos cheios de lágrimas).
O clima pesou bastante, a tentativa de Consuelo foi em vão. Ficou ali parada observando tudo.
FECHA PARA:


__________________________________________*1° INTERVALO COMERCIAL*



Nenhum comentário:

Postar um comentário