sábado, 28 de abril de 2012

Traga consigo a Vontade...

              Sabe quando amanhecemos o dia loucos pra que algo diferente aconteça? Pois é assim tô hoje, cheio de confiança na possibilidade de que se tenha a oportunidade de passar por certas coisas que me permitirão refletir. O tempo lá fora tá nublado, também depois daquela chuva medonha, é difícil o clima restabelecer com facilidade. Rodeados de poucas pessoas de confiança ao mesmo tempo vigiado por uma légua de desocupados, aqui vô indo conforme o princípio da vivência. O engraçado é ver como somos tolos mediante a concepção de nossas relações elementares de dia a dia. Rapidamente pude captar no ar, situações desagradáveis que reforçam o fracasso e ao mesmo tempo coloca um desafio muito grande no que diz respeito as relações humanas. Quão complexa cheia de facetas  misteriosas e incontestáveis aos olhos nús.
        Uma vez disse o filósofo: “Humano demasiado, humano...” Verdade! Pois pra se tornar pleno, a disposição pra suportar as intempéries da vida sem dúvida deve ser uma atitude bem acertada do ponto de vista das nossas estruturas. Estrutura? Como assim? Aquela que trás consigo os elementos principais de um processo lindo de se ver que é a edificação na cadeia de valores. O conceito pode até parecer complexo demais pra nosso entendimento, mas na realidade é tão fácil de ser administrada com o calor da nossa inteligência, tudo depende de uma única coisa, a mais importante diria: FORÇA DE VONTADE...eis aqui um sentimento, ou melhor dizendo, uma decisão tomada a duras penas. Sujeitar-se com a cara e a coragem, é uma dádiva pra poucos, somente os que estiverem preparados. Entre aspas, pois nunca estamos preparados 100% em uma empreitada, ainda mais essa a cautelosa. No entanto quero deixar bem claro que o fundamento principal, a fonte de água viva onde vamos beber, promete a concepção da uma vida nova, prudente e sábia. Coisa da qual todos nós precisamos, caso contrário viveremos sempre no egoísmo exacerbado sem ter nem sequer a oportunidade de recomeçar...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A luz do caminhar...

       A essa altura várias coisas estão acontecendo no mundo aí fora. Quantidade de pessoas saindo para o trabalho, algumas repousam no mais profundo sono, outras estudam, enfim em cada parte desse mundo alguém está fazendo algo. Entre quatro paredes aqui estou, nas minhas leituras, no meu canto à refletir. De dentro do armário, há uma infinidade de livros me esperando pra serem lidos, alguns me convidam faz tempo, as persianas do cubículo foram abertas, um feixe de luz permeia o recinto, e mesmo assim a luz fluorescente cumpre o seu papel. A cama então nem se fale, toda pomposa coberta por um edredom de onça, que chickkkk...um ventilador que mal funciona, fica por aqui de enfeite, uma televisão cheia de macacoas que só eu consigo me entender com ela. É assim que vivo, dentro dessas simplicidades, porém feliz. O conhecimento tem sido a busca incessante do meu EU, no entanto num tenho aberto mão do prazer da conquista trabalhada. Parece que foi ontem que muita coisa começou, quando me dou conta do quanto o tempo tá passando fico imensamente assustado. 
     Apesar do bom tempo sem comparecer, você Mina Louvre continua com o seu espaço reservado, a verdade é que chega num determinando momento da vida, que o mata à mata fica mais intenso, o grau de dificuldade dos problemas aumentam, sem ter a segurança do sucesso. Um tiro no escuro, que projeta pro vazio se deixar. Não quero ser vazio sem tendências, prefiro a certeza de que errando se aprende, pelo menos estarei vivo, pronto pra outra batalha, nessa guerra inconstante e misteriosa da vida. Clamo pra que Deus, continue sempre do meu lado, soprando em minhas narinas o ar da fortaleza, pra que assim seja feita a sua vontade. No calor da experiência com uma pessoa muito próxima de mim, pude extrair uma lição sem igual. Visto como uma referência, acabei sendo incumbido de indicar um texto bíblico a ser meditado, prontamente lembrei-me com veemência do salmo 36, cuja uma de suas passagens diz: " Faça a justiça sim, tendo a plena fé em Deus, entregue o seu espírito, afim de que ele manifeste o êxodo do seu chamado". Fiquei a martelar por minutos sobre essa passagem, e é verdade, o que será de nós, sem a justiça e a fé de Deus tão almejada se nem queremos nos entregar de corpo e alma, pra que o êxodo no final traga benefícios?...
      Já parou pra pensar o quanto somos cruelmente ingratos? Pra que então persistir em quebrar a cabeça com as disparidades tão vâs? Já num basta as palavras? Até quando? Em que momento vamos deixar que o bem se manifeste na sua totalidade? E quanto ao caminho da felicidade, tem sido conscientemente tratado como a verdadeira prioridade? Ou tem ficado em, segundo plano, como por exemplo somos provocados aos desafios nos quais julgamos nunca dá conta, e ficamos escravos da eternidade da justificativa que nunca se consuma? Alguns dias atrás, numa manhã de domingo, postei em meu Facebook, uma reflexão tão bonita, que sinceramente fiquei em duvida se tinha sido eu mesmo que a fiz. Abordava sobre a ESPERANÇA e o seu papel na transitividade humana. É da fato inquietante: se Deus nos sopra nas narinas, o que mais há de queremos? A ESPERANÇA nos cerca a todos os momentos, só que a cegueira do coração, da alma, do espirito não nos permite sentir suas nuances. Prostrar-me diante da realidade pode até parecer humilhante demais, porém sem vencer essa etapa jamais serei projetado a constante caminhada, dos valores. Por incrível que pareça, é a mais tortuosa que já conheci em toda a minha vida. Viva a Deus, e viva o mundo, neste lugar está, Santíssima Trindade Eterna, vem nos alegrar, contagia nossos corações pra que enfim tenhamos luz no nosso caminhar.... 

domingo, 8 de abril de 2012

TERCEIRO BLOCO DE: ENTRE A ARANHA, HÁ QUEM GANHA...


CAPÍTULO 001...


*INÍCIO DO TERCEIRO BLOCO*


CENA 31/ RUAS DA CIDADE/ EXT./ DIA.
Uma onda de repórteres persegue Enéias pelas ruas. Um deles aborda- o na rua.
Repórter –
 Contador de Histórias poderia me dá um tempinho?
Enéias –
 (educado) Claro, o que quer de mim? (animado)
O repórter começa com a chuva de perguntas.
Repórter –
 Como descobriu o seu dom? Porque quis seguir a carreira de contador de histórias? Qual é a satisfação em levar coisas boas pras pessoas?

Enéias –
 (confuso) Vamos com calma senhores. Perguntem uma coisa de cada vez. Assim num dô conta de atender aos pedidos (risos).
A CAM mostrará um pouco dessa trajetória que ele vivia diariamente. A impressão é que ele esqueceu de tudo e de todos.
CORTA PARA:

CENA 32/ RUA DO ED. MACAÉ/ CALÇADA/ INT./ DIA.
O carro de Carlos Melo, chega na porta do Ed. Macaé. Recebe um telefonema enquanto estaciona o carro.
Carlos –
 Oi! Pode deixar, hoje chego atrasado na firma. Aconteceu uns imprevistos lá em casa, faço hora extra hoje, num tem problema (desliga o telefone). É agora ou nunca. Vou dá uma de bobo, e colocar essas caranguejeiras no elevador...
CAM mostra a frente do edifício, e Carlos entra pelo saguão com uma bolsa.
CORTA PARA:

CENA 33/ ED. MACAÉ/ ELEVADOR/ INT./ DIA.
Carlos Melo, passa despercebido na recepção e se adentra no elevador. Nessa hora, Deusdete sentado na recepção do prédio lendo jornal, percebe a movimentação estranha de Carlos, resolve seguí-lo discretamente. Carlos dentro do cubículo, programa o equipamento pra subir no andar do apto de Enéias. Chegando lá de portas abertas, sem ao menos se preocupar com alguém por ali naquela hora, é observado por Deusdete na pilastra ao fundo de acesso a escada da área de serviço. Local por onde subiu.
Carlos –
 (se desfaz da bolsa pendurada nos ombros) Preciso de habilidade, senão alguém me pega. É um serviço muito arriscado (falava pra si mesmo).
Enquanto isso tira da bolsa, um recipiente cheio de aranhas, e colocar-as dentro das frestas do compartimento do elevador, uma forma de assustar seu amigo.
CORTA PARA:

CENA 34/ ED. MACAÉ/ CORREDOR/ INT./ DIA.
Deusdete observa de longe todo o trabalho de Carlos.
Deusdete –
 Mais que diabos aquele homem tá fazendo? (curioso) será que é uma vingança? Olha lá se pode, colocar aranha em fresta de elevador. Deve ter algum motivo forte pra ele tá inventando isso (pensativo).
CORTA PARA:

CENA 35/ PLANOS GERAIS DAS PAISAGENS NATURAIS/ EXT./ DIA.
Vista áerea de um monte de paisagens naturais. Praças, movimentação de pessoas fazendo corrida pelas calçadas, um relógio em marca d’água se movimentando pelas paisagens mostrando a passagem do dia para a noite.
CORTA PARA:

CENA 36/ APTO DE CARLOS MELO/ SUÍTE/ INT./ NOITE.
Carlos está pensativo, deitado na cama. Enquanto Renata sai do banheiro secando os cabelos.
Renata –
 O que que foi dessa vez? Tá com uma cara...(preocupada).
Carlos –
 (mexe na cama) Né nada amor. Pensando algumas coisas da empresa (nisso pega o telefone sem fio do criado mudo).
Renata –
 (logo pergunta) Pra quem vai ligar tão tarde? (curiosa).
Carlos –
 (responde) Pro Enéias! (seguro) Quero convidar pra ir ao cinema comigo amanhã, topa?

Renata –
 (ríspida) Mas nem morta, ir num encontro como esses? Jamais. Mas vá sim, é seu amigo de longa data (refletiu).
CORTA PARA:

CENA 37/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ NOITE.
Da cozinha, Enéias escuta o telefone tocar. Sai com um avental, e bacia na mão pra atender.
Enéias –
 Alô? (desajeitado)...Ah é você! (tom frio)...
CORTA DESCONTÍNUO, para apto de Carlos Melo.
Carlos –
(responde) Sim, ainda tá chateado comigo? Entenda que é pro seu bem, Enéias pelo amor de Deus! (suplica).
Enéias – (completa em off)
 O pior que tô! Não posso esconder a profunda decepção que tá me causando (objetivo). Somos amigos há tantos anos, e descobri que nem sequer me apoia.
Carlos –
 (defende-se) Se isso fosse verdade, até concordaria com você. O negócio é que precisamos sair pra esclarecer esse mal entendido.
Enéias – (completa em off)
 Num me venha com encontros aqui no apto, porque já vi que sempre acaba em merda (adverte).
Carlos –
 (conclui) Que tal um cinema? Liguei pra isso, combinar um filme pra relembrar quando éramos jovens. Topa? (na expectativa).
Enéias -  (pensativo em off)
 Hum...pode até ser! Que horas?
Carlos –
 Ás 15:00hs dá pra você?
Enéias –
 Sim, boa hora.
A conversa continua em off. CAM sai discretamente do local onde está Carlos, focando em Renata na espreita observando.
CORTA PARA:

CENA 38/ APTO DE ENÉIAS/ COZINHA/ INT./ NOITE.
Depois de desligado o telefone, Enéias retorna pra cozinha, de bacia na mão, preparando o jantar.
Enéias –
(pensativo) Esse encontro promete! Já sei o que vô fazer. É só terminar aqui, ajeitar tudo e bolar alguma coisa pro meu próximo espetáculo. Carlos num perde por esperar (risos).
CORTA PARA:

CENA 40/ STOCK SHOTS DAS CAPITAIS BRASILEIRAS/ EXT./ NOITE.
Vista aérea da movimentada Av: Paulista e seu percurso a noite, Cristo Redentor, Parque Municipal, Pelourinho, e uma diversidade de artigos regionais de artesanato dos quatro cantos do país. Passagem da noite pro dia. Com o relógio em marca d’água movimentando-se entre as paisagens.
CORTA PARA:

CENA 41/ SHOPPING/ CINEMA/ INT./ DIA.
Carlos Melo está a espera do amigo. Levanta quando avista-o chegando.
Carlos –
 Oi Eneias, tudo bem amigo? (abraça-o) Que filme vamos assistir? (observando o que ele levava nas costas).
Enéias –
 (radiante) Hoje fica por sua conta. Da última vez que viemos no cinema eu fiquei encarregado de escolher o filme.
Carlos –
 (confuso) É mesmo? Quando foi a última vez? (curioso)
Enéias –
 (envaidecido por lembrar) Há 15 anos atrás (entre risos), depois disso nunca mais viemos.
Carlos –
 (se volta pro amigo) Quanto tempo se passou, e ainda continuamos eternos companheiros, num acha?
Enéias –
 (evasivo) Bem, eu poderia dizer o mesmo até anteontem, quando provou que não me apoia (tom frustrado).
Carlos –
 (sério) É bom pararmos por aqui. Estragar um momento como esses seria uma judiação!
Eneias –
 (completa) Concordo plenamente.
A CAM foca Carlos bastante curioso com a capa que Enéias carrega nas costas, sem rodeios pergunta.
Carlos –
 O que leva nas costas? (observa)
Enéias –
 (ironicamente responde) Ahh, sim. Tava demorando querer saber (risos). É porque preparei um espetáculo depois da seção pipoca, sabe?
Carlos –
 (vermelho de vergonha) Não acredito! (perplexo).
Enéias –
 (sustenta a ideia) Uai, o que tem demais? É só mais uma nova criada por mim! (seguro).
Carlos –
 (expressa revolta) Te chamei pra esse momento fosse nosso, e não pra contar histórias.
Clima tenso no ar.
CORTA PARA:

CENA 42/ CINEMA/ SALA DE PROJEÇÃO/ INT./ DIA.
Carlos está sentado ao lado de Enéias, observando-o comer pipoca, concentrado no filme.
Carlos –
 Por favor, Enéias, não faça isso. Que mico!
Enéias –
 (se volta pra ele) Olha se for pra ficar me criticando, eu saio daqui agora. Quero ver o filme, pombas! (nervoso).
Carlos Melo continua preocupado, Enéias tranquilo e calmo. CAM foca o momento em que Carlos comenta.
Carlos –
 Ele não perde por esperar. Essa festa vai acabar, vai ver.
Nota: aqui vem a passagem do tempo do filme...
CORTA PARA:

CENA 42/ SHOPPING/BILHETERIA DO CINEMA/ INT./ DIA.
A multidão de pessoas sai, após o filme já terminado. Enéias e Carlos são praticamente os últimos a sair da seção, Enéias se planta num canto próximo a bilheteria, as pessoas passam por ali observando toda a organização do Enéias.
Enéias –
 É hoje que essas pessoas vão conhecer o talento de um contador de histórias. Carlos Melo, apreensivo, tenta distrair a atenção das pessoas, mas por fim começam a se aglomerar.
Carlos –
 Calma pessoal (tenso), ele só tá fazendo um teste.
Ninguém dava ouvidos para Carlos. De repente o aquecimento do violão começa, algumas notas são apuradas. Enéias interage com o público ali presente com suas histórias. Na medida em que tocava e contava, mais pessoas se aproximavam da atração. A fila na bilheteria para os filmes ficaram vazias por uns instantes. Carlos Melo, sai de fininho.
CORTA PARA:

CENA 43/ PORTARIA PRINCIPAL DO SHOPPING/ INT./ DIA.
Carlos Melo está afobado, aborda uns seguranças na porta do shopping.
Carlos –
 Por favor, venham comigo. Parece que tem um louco que se abancou na porta do cinema e tá corrompendo local com um tanto de gente. Vamos comigo por favor.
Os seguranças se entreolham e seguem Carlos Melo. A CAM vai mostrar o percurso deles dentro do shopping. Seguindo pelo térreo, subindo escada rolante, etc...
CORTA PARA:


CENA 44/ SHOPPING/ BILHETERIA DO CINEMA/ INT. / DIA.
E chega Carlos Melo, com mais ou menos uns 5 seguranças. A multidão estava grande demais conter aquelas pessoas seria praticamente impossível. Um dos seguranças olhou pra seu parceiro.
Segurança –
 Ah, num é nada. É mais um desses contadores de histórias que vem fazer atração no shopping. Num há nada de errado.
Voltam-se pra Carlo Melo.
Segurança –
 Senhor num tem nada demais aqui, é só um contador de histórias (explicam).
Carlos –
(pasmo com os seguranças) Será que vocês num percebem que ele tá corrompendo a passagem dentro do shopping.
       Segurança –
 Senhor, o shopping é um reduto de pessoas capitalistas, nossa filosofia é clara, quanto mais pessoas melhor são os investimentos dos lojistas.
Carlos Melo sentou num banco ali próximo paralisado, enquanto olhava pra Enéias e aquelas pessoas ao seu redor.
CORTA PARA:

CENA 45/ CARRO DE CARLOS/ INT./ DIA.
Clima estranho dentro do carro, Carlos Melo com expressão tensa.
Carlos –
 Você num tem noção da vergonha que passei Eneías.
Enéias –
 (se volta pro amigo) Que vergonha Carlos? (sereno) Você ficou parado como um expectador, pior é pra mim me sujeitar a encarar toda aquela gente. Quem deveria tá falando isso era eu e não você.
 Carlos –
(responde rispidamente) Enéias, tô chegando a conclusão de que tu é um louco. Isso já virou neurose.
Enéias –
(ofendido) Se for pra ficar ofendendo, pode me deixar por aqui mesmo, caminho o restante a pé. Me respeite, em nome da nossa amizade, para com esse preconceito bobo. Enxergue a realidade homem, as pessoas gostam das minhas histórias.
Carlos –
(se volta pro amigo) Meu Deus, como as pessoas podem viver fora da realidade desse jeito, é incrível. Enéias vô te levar em um psiquiatra.
Enéias –
 (decide) Pare o carro agora! (ordena) Não quero ir mais contigo até o meu apartamento, chega disso tudo, já cansei.
Carlos Melo para o seu carro, deixa Enéias numa calçada qualquer. Segue a pé até o seu apartamento, a CAM foca Enéias cruzando as ruas da cidade pensativa...
CORTA PARA:

CENA 46/ SAGUÃO DO ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
Enéias cruza o saguão do edifício, cabisbaixo, o porteiro observa a chegada dele. Deusdete fica a espreita, aguardando por Enéias, percebe que ele entra no elevador, segue atrás. A CAM mostra toda a movimentação deles (ângulos privilegiados).
CORTA PARA:

CENA 47/ ELEVADOR ED. MACAÉ/ INT./ DIA.
O clima de tristeza está no ambiente. Enéias nem sequer olhou pro lados, afim de contar suas histórias. Deusdete o observa, deduz ter acontecido algum coisa com Enéias, arrisca puxar assunto.
Deusdete –
 Oi Enéias tudo bem? (em tom tranquilo).
Enéias –
 (para por um instante, levanta a cabeça) Deus? Você falando com essa calma toda? Estou bem, graças a Deus. Estranho você me dando atenção.
Deusdete –
 (contorna o comentário) Pois é Enéias, é porque hoje num estou tão tenso como é o de costume. O trabalho acaba com o meu humor, é por isso.
Enéias –
 (retruca) Então meu caro colega de edifício, te dou um conselho. Saia desse emprego, porque já faz um bom tempo que você tá de mau humor viu, isso é perigoso pra saúde.
Deusdete sente uma pontada de raiva com o comentário de Enéias, mas contêm a emoção.
Deusdete –
 Tem razão Enéias. Agora muito me admira, te ver desse jeito tão triste, tá acontecendo alguma coisa?
Nessa hora o elevador para no andar do apto de Enéias, e sem ele perceber, Deusdete o segue interagindo com ele. A CAM foca o momento dos dois, fechando em seus rostos.
CORTA PARA:

CENA 48/ APTO DE ENÉIAS/ SALA/ INT./ DIA.
Enéias convida Deusdete pra entrar.
Enéias –
 Sente-se Deus, vô só colocar esse objeto (o violão que tá em seu braço), no quarto e já volto.
Deusdete –
 Pode ir sossegado (sereno) eu aguardo.
A CAM acompanha a movimentação de Enéias no apto.
Deusdete –
 (da sala pergunta) falando sério, nunca te vi triste, sempre anda de bem com a vida (tentando puxar alguma coisa).
Enéias - (responde em off do quarto)
Problemas Deus, mais problemas. 
Deusdete –
 (insiste) Conte-me, quem sabe num posso ajuda-lo? Enéias caminha pelo corredor do apto, chegando até a sala.
Enéias –
 De repente, até porque preciso desabafar com alguém. É o meu amigo Carlos, não aceita o fato de eu ser um contador de histórias, tem vergonha do que faço, sabe.
Deusdete –
 (com ar pensativo) Mas porque disso tudo, afinal amigos foram feitos pra compreender uns aos outros.
Enéias –
 (se volta pra Deusdete) Pois é Deus, Carlos sempre foi um homem que me apoiou em tudo, agora tem mudado muito pra falar a verdade num conhecia esse lado egoísta dele.
Deusdete –
 (consolador) Já tentou esclarecer as coisas pra ele? Quem sabe com uma boa con ...
Enéias –
 (interrompe) Não, não, não (mexendo com as mãos), Já tentei, é irredutível entende só o lado dele, esquece que a felicidade das pessoas não gira em torno das vontades e os seus desejos.
Deusdete percebe um clima desagradável entre os amigos.
Deusdete –
 Nesse caso, você tem outras pessoas com quem pode confiar. Estou a sua inteira disposição, pode contar comigo pro que der e vier, ok? (pega as mãos de Enéias).
Enéias –
 (fica surpreso com a postura do vizinho) Vou precisar mesmo. Nesse momento um amigo pra compartilhar minhas tristezas num é nada mal. Pode deixar Deus você será meu novo confidente.
A CAM foca o rosto de Deusdete satisfeito com o seu feito, uma espécie de olhar maquiavélico.
CORTA PARA:

                                 *FIM*

SEGUNDO BLOCO DE: ENTRE A ARANHA, HÁ QUEM GANHA...


CAPÍTULO 001...


*INÍCIO DO SEGUNDO BLOCO*

CENA 19/ PLANOS GERAIS DE PAISAGENS/ EXT./ NOITE.
Vários clipes com diversas paisagens noturnas, imagens de parques, monumentos históricos, trânsito em viadutos, praças bem iluminadas. Famílias caminhando em volta das lagoas...Passagem da noite para o dia, com um relógio em marca d’água ao fundo trazendo a dimensão das horas.
CORTA PARA:

CENA 20/ PRAÇA DA CIDADE/ CHAFARIZ/ EXT./ DIA.
Uma multidão de pessoas aglomeram no chafariz da praça da cidade. Vários canteiros com vistosas flores, igreja ao fundo em estilo barroco, nos bancos um contingente de pessoas interagindo. A CAM percorre em direção a movimentação de gente próxima ao chafariz.
Enéias - (conta em off)
 Senhoras e senhores. O espetáculo já vai começar. A quem diga que minhas histórias são sem pé e nem cabeça, porém elas podem ajudar.
Ao fundo o som do violão. Fecha em Enéias rodeado de pessoas.
Enéias –
 Hoje trago uma proposta inusitada pra quem me escuta. É o desafio de construir um conto. Alguém se interessa? (caminha olhando pra todas ali presente). É muito simples. Pode parecer difícil, dentro da cachola tem muita coisa a ser reaproveitada. Tenho certeza de que o que vai ser falado, cada um aqui presente vai refletir e adaptar a sua realidade. Basta escutar com integridade.
CORTA PARA:

CENA 21/ CONSULTÓRIO DO DR. TEOBALDO/ INT./ DIA.
Carlos –
(sentado diante do médico) Dr. Tenho um amigo que tá fora da realidade. Ele é tão capaz, mas pensa pequeno demais, virando motivo de chacota sabe.
Dr. Teobaldo –
 (confuso) Explique melhor o problema dele. Porque recebo pacientes com vários graus de loucura no caso do seu amigo tem que ser mais preciso.
Carlos –
 Na verdade, ele cisma que é um contador de histórias, anda pela cidade parando as pessoas em diversos lugares.
Dr. Teobaldo –
 (retruca) E o que há de errado nisso? Vejo como algo extremamente normal. É uma atividade comum.
Carlos tenta de toda forma convencer o médico da loucura do amigo.
Carlos –
 O Sr. Num tá entendendo, ele tá ficando alienado com esse troço de sair alugando as pessoas por aí. Fala coisa com coisa, Dr. Ninguém o escuta, mas continua insistindo nessa besteira.
Dr. Teobaldo –
 (tamborilando os dedos com a caneta na mão) Bem a única solução (pensativo) seria trazê-lo aqui pra fazer uma breve avaliação da situação. Depois chego a conclusão sobre que tipo de tratamento iniciar. Enquanto isso é importante, colocá-lo a par  de que é necessário aceitar o atendimento, caso contrário fica difícil ajudar.
Carlos –
(preocupado) Aí é que tá a merda toda Dr. aceitar vir aqui, assim a troco de nada. Conheço muito bem aquela cabeça dura.
CORTA PARA:

CENA 22/ DEPTO FINANCEIRO DE LOJA/ SALA/ INT./ DIA.
Deusdete sentado na sua mesa, analisando alguns papéis, pega o controle remoto da televisão, liga. Nessa hora aparece o noticiário, mostrando um repórter gravando a façanha de Enéias na praça da cidade. Reuniu um conglomerado de pessoas, todas entretidas com os contos daquele moço. Com direito a trânsito embananado. Uma verdadeira repercussão.
Repórter -  (fala em off)
 Estamos daqui da praça da cidade, pra mostrar um feito inusitado. Um senhor de meia idade está distraindo as pessoas com histórias bem interessantes. Pra acompanhar o repertório ele toca violão enquanto eloquentemente conta suas façanhas...
Deusdete levanta perplexo de sua mesa, caminhando rumo ao sofá da sua sala.
Deusdete –
 Não acredito! (surpreso), aquele maluco virando manchete de jornal de televisão. Isso já é demais. Venho a tanto tempo querendo conseguir uma brecha como essa e em tão pouco tempo esse cara já conseguiu? Confesso que é de tirar o chapéu!
CORTA PARA:

CENA 23/ SAGUÃO ED. MACÁE/ PORTA PRINCIPAL/ INT./ DIA.
Os moradores do prédio batem palmas pra Enéias. Todos focados na televisão. O porteiro do Ed. Macaé anuncia em voz alta.
Porteiro –
 Esse é o nosso orgulho! Seu Enéias aparecendo em televisão. Viva ao Seu Enéias.
 Os moradores – (em coro)
 Viva!
A CAM mostra bastante folia no recinto. O saguão ficou cheio de gente comemorando o sucesso do vizinho.
CORTA PARA:

CENA 24/ APTO DE CARLOS/ SUÍTE/ INT./ DIA.
Renata está da camisola, caminha rumo ao telefone. Detalhe pra televisão ligada com as últimas notícias. Disca o número do marido.
Renata -  
Bom dia, Carlos! (seca).
Carlos -  (responde em off)
 Bom dia! (seco).
Renata enquanto assiste a televisão pergunta.
Renata –
 Você já ligou a TV hoje? Acho que vai gostar de ver uma coisa que tá passando no noticiário agora.
CORTA PARA:

CENA 25/ CARRO DE CARLOS/ INT./ DIA.
Ao telefone, Carlos está meio confuso.
Carlos –
 Ainda não liguei o que tá acontecendo?
Sem perceber, Carlos estava no meio de um tumulto de pessoas, próximas a praça da cidade.
CORTA PARA:

CENA 26/ APTO DE CARLOS/ SUÍTE/ INT./ DIA.
Renata -  
Acho melhor não falar, é melhor você enxergar com os próprios olhos...(desliga o telefone).
Observando o noticiário, Renata percebe que o carro do marido está próximo do acontecimento, por causa das câmeras do jornal.
Renata –
 Ah, num vai precisar comentar. Ele vai vivenciar ao vivo e a cores essa charanga. Só quero ver a reação dele, quando chegar em casa (sarcasmo).
CORTA PARA:

CENA 27/ CARRO DE CARLOS/ INT. / DIA.
A movimentação de pessoas fica cada vez mais intensa, Carlos sem entender de dentro do carro busca explicações do porque de tanto alvoroço.
Carlos –
               Mais que diabos tá acontecendo nessa praça? Que            vendaval é esse gente? (confuso). Não me resta outra opção a não ser pesquisar o problema (desliga o carro, estaciona num canto da praça e sai caminhando rumo ao movimento).
CORTA PARA:

CENA 28/ PRAÇA DA CIDADE/ CHAFARIZ/ INT./ DIA.
Carlos anda pela praça como se não a conhecesse. Acha estranho num dia normal aquele emaranhado de pessoas tomando espaço de motoristas, uma série de repórteres andando de um lado pro outro. Bastante correria. Ele observa rumo ao chafariz um grande círculo, foi caminhando diretamente pra lá.
Carlos –
 Não acredito! Só pode ser alguma peça. (surpreso ao ver Enéias, no meio daquele contigente de pessoas), como é que pode, Enéias carregar essa multidão de gente? Tá parecendo sermão da montanha! (fala pra si em tom preocupado).
Carlos se aproxima do círculo, e escuta por algum tempo as histórias do amigo.
Carlos –
 Como é possível, meu Deus? Uma pessoa tão inteligente ficar desmiolada desse jeito, que situação deplorável, a do meu amigo (pensativo). Já sei o que vô fazer, na vida as coisas quando não acontecem por bem, acontecem por mal. Infelizmente eu tenho que fazer isso.
Carlos sai andando em passos largos, misteriosamente, seguindo em direção ao seu carro estacionado á alguns metros dali...
CORTA PARA:

CENA 29/ LABORATÓRIO DO ESTADO/ SAGUÃO/ INT./ DIA.
Carlos conversa com a recepcionista.
Carlos –
 Gostaria de conversar com a pessoa responsável pelo setor de aracnídeos de laboratório. É um assunto muito importante, caso de vida ou morte (convence). A recepcionista pega o telefone.
Recepcionista –
 Dr. Álvaro, tem um senhor aqui fora que gostaria de conversar sobre um assunto urgente...hum...hum...tá ok, vô manda-lo entrar (desliga o telefone). Sr. Carlos pode seguir este corredor até o final e entrar a direita, é a primeira sala tem o nome do médico na porta.
A CAM mostra um imenso corredor, com diversas salas dentro do laboratório. Chão imaculadamente branco. Carlos caminha, procura o local indicado pela recepcionista.
CORTA PARA:

CENA 30/ LABORATÓRIO DO ESTADO/ SALA DR. ÁLVARO/ INT./ DIA.
A CAM percorre o recinto cheio de bancadas com uma variedade de equipamentos de laboratório, várias gaiolas com aranhas enormes de todas as espécies. Carlos entra na sala, bate na porta, se depara com Dr. Álvaro de costas no anotando algo na sua prancheta.
Carlos –
 Com licença? Dr. Álvaro? (pergunta).
Dr. Álvaro –
 (direto ao ponto) Pois não, o que deseja?
Carlos –
(caminha rumo ao médico) É uma longa história Dr. Posso me assentar? (olha a cadeira).
Dr. Álvaro –
 (do outro lado) Claro que sim, que falta de cortesia a minha (risos).
Carlos –
 Sem problemas Dr. (em tom compreensivo).
Dr. Álvaro –
 (curioso) Qual o motivo da visita ao laboratório? Geralmente poucas pessoas leigas vêm aqui. Geralmente só os estagiários.
Carlos –
 (sem jeito) Tô precisando de uma forcinha com um amigo, sabe? (sem jeito).
Dr Álvaro –
 (evasivo) Está falando do que exatamente? Seja mais claro por favor?
Carlos –
 (se aproxima do médico sentado) Por quanto me vende o seu arsenal de aranhas? (fala baixinho).
Dr. Álvaro –
 (confuso) Como? Tá ficando louco (balança a cabeça) Essas aranhas são altamente venenosas, sem contar que são objetos para estudos. Num posso fazer isso (explica). 
Carlos –
(suplica) Dr. O senhor vai me entender. É um caso bastante delicado, de acordo com meus planos vai ser fundamental a presença dessas aranhas...
Clima de suspense no ar.
CORTA PARA:

__________________________________________*2° INTERVALO COMERCIAL*