A hora da verdade sem querer estava chegando! Algo revelador caminha veementemente rumo ao seu percurso. O destino reservara a Antero, grandes surpresas. Era uma verdadeira aventura tudo aquilo. Porém o desgaste emocional era dos grandes, apesar de tudo, resolvera lutar por honra...
CAPÍTULO V.
Tony fora agraciado no final da tarde, com a tão esperada notícia.
- O estagiário foi despedido! Trate de selecionar outro no lugar.
- Sim! Vou providenciar outro, mais rápido possível.
No entanto, o velho Nepomuceno ligara para a direção a fim de convencê-lo a voltar atrás. Isso ocorrera num momento em que todos fora embora, com ele sozinho para pensar e decidir. Nepomuceno sabia de todas as maldades, intrigas do meio jornalístico, sabia que se ligasse mais cedo com certeza alguém influenciaria contra a volta do estagiário.
- Está bem, meu amigo! Vou analisar sobre o que posso fazer para ajudar o rapaz. Mas tenho um problema!
- Qual, diga?
- Pedi ao Tony para selecionar outro estagiário no lugar e...
- E nada. Esse é o menor dos problemas. Só te peço uma coisa, não comente com ninguém, sobre a minha intervenção. Por favor.
- Ok, como sempre reservado, hein?
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| Descoberta surpreendente. O outro toma conta do ser e ideias de Antero |
- Sim, qualidade da qual me orgulho muito. Através dela, consegui descobrir diversos impostores no nosso meio.
Assim que Oswaldo desligou o telefone, terminou algumas anotações, averiguou seus compromissos para o próximo dia, fora embora. Algo de muito estranho estava para acontecer. Surpresas, revelações por vir.
Tony comemorara a vitória, como se tivesse ganhado um Oscar. Saiu com alguns amigos a noite a fim de tomar uma cerveja, hábito das quintas feiras. Interiormente estara em festa, contou vantagem na empreitada sozinha. Sem ninguém ao menos desconfiar. Ao chegar do tradicional pagode da Lapa, o redator fora predestinado a começar seu circuito diabólico, pensara nas consequências, na dor, sofrimento que ia causar em Antero, porém definiu com frieza que executaria o propósito até o fim. E outra tinha de levar em consideração a parte no quinhão que seu amigo motorista receberia. Pois poderia comprometer todo o plano. Depois de um banho para reestabelecer as energias, disponibilidade era um campo verdejante para Tony. Sentara na poltrona importada de couro em seu escritório. Abrira o Lap Top alheio, determinado a divulgar estrategicamente a “Chave” número 1 do projeto. Não alterara a idéia original, só ajustara algumas passagens afim de preservar a marca registrada de seus artigos. Dando a autoria, para o redator, tal qual o sucesso que seria divulgado. Chegara da sacada do apartamento, festejando com o tradicional champanhe um fato cultural no meio jornalístico, assim declarou: “Ah! Tudo isso está, apenas começando...serei muito prestigiado”. Enviara o artigo para a redação no intuito de ser publicado. A partir dali à sorte de um lado e a desgraça do outro, havia sido lançada, dois contrastes digno de mais uma chave para o projeto do jovem estagiário, uma verdadeira violação...
Por incrível que pudesse parecer, o tempo estava nublado naquele dia. Antero acordara com uma horrível sensação, como se alguém tivesse morrido. Preparara para um desafio dos grandes, pois sua vida estava em jogo. Pensava no emprego perdido, unicamente isso. Nepomuceno ligara para Antero pela noite, avisando sobre sua presença imprescindível na manhã do dia seguinte. Habitualmente, organizou como se nada tivesse acontecido. Repetira prontamente a rotina diária, encarava o trânsito, enfim tudo conforme pedia o figurino. O momento crítico estava para acontecer, uma espécie de contagem regressiva.
Antero subira o elevador, deu com a porta de vidro fumê, avistara algo diferente no recinto. O clima era de festa, comemoração, todos à volta de Tony parabenizando pelo excelente trabalho prestado. Folders, banners espelhados por toda a redação anunciava o projeto: “As Chaves do Mundo”. Antero abrira a porta trêmulo que nem vara verde, ao ver tudo aquilo. Teve um rápido feed back: “Não confie em Tony, ele é perigoso!”. Lembrava as palavras do velho sábio Nepomuceno.
O projeto: “As Chaves do mundo”, findava a reunião de diversos assuntos polêmicos, de uma sociedade taxativa pouco evolutiva nas questões éticas e morais. Antero aproveitara os conceitos adquiridos com a experiência da faculdade, decidindo assim criar um projeto, onde todos pudessem mobiliza-se de forma a atacarem a problemática remediando suas causas, trabalhando assim na busca do sucesso, melhores condições de vida para os outros. Dentre as reportagens produzidas, entrevista acrescentava os documentários, pesquisas de campo e claro atividades, na prática cotidiana que evidenciam resultados. Uma nova forma de se fazer jornal, tirando as pessoas da zona de conforto, inserindo-as numa prática rumo a transformação. Ganhara tempo na vida, explorando o mundo. Várias vezes viajou em estágio, procurando situações das quais poderia sugerir como jornalista, mudança posicionamento das pessoas frente ao caos. Sem dúvida, as experiências trouxeram a Antero o desejo de lutar por sociedades mais justas, atuantes. Trabalhara exaustivamente nas temáticas bem elaboradas, de linguagem acessível aos olhos do público. Estava quase terminando sua empreitada, fazendo ajustes finais, mostrar a proposta objetivando colocá-la em prática. Na hora, a alma do pobre jovem se reduziu a frangalhos, assumiu paulatinamente um aspecto fúnebre, como se houvesse acontecido a tragédia de todos os tempos. Embora num sentimento fragilizado, era mais que um golpe, uma morte. Sentia o corpo dissipando em fracasso, impotência. Entrara no recinto, deu de cara com o banner escrito: “Viva ao sucesso, ao talento! A Tony Andrade... estreia o mais novo projeto no Veracidade”. A temática é: “Em busca da Chave do Portal, o início”. Antero logo pensara meio paralisado em câmera lenta: “Essa filho da puta, atacou com maestria, trocou as palavras do jeito dele”. Pois o original dizia: “Em busca do mundo, suas chaves ao relento, largada inicial”. Os demais redatores elogiaram a iniciativa brilhante de Tony. Ficara cercado por uma multidão prestando homenagens deleitando-se do resultado do trabalho. E o autor original passando por tudo aquilo. Antero teve uma súbita vontade de matá-lo, porém na decepção profunda fora acometido por uma fonte de equilíbrio muito grande. Tivera até a ousadia de cumprimentar Tony.
- Parabéns pelo trabalho alheio, confiscado! Vai ter troco.
- Não sei do que você está falando? – o impostor fez pose de soldado desavisado.
- Ah! É , você então saberá agora!...
O controle de Antero assumira outra proporção sem analisar criteriosamente, colocara a boca no mundo. Tentando convencer todos de que aquele projeto era dele. E que tinha sido roubado.
- Vocês precisam acreditar em mim! Minha vida tá em jogo nisso. – o pobre estagiário, apelou de uma tal forma que todos ficaram sem saber quem de fato era Antero Freitas. Porém seu apelo fora em vão. Todos ali ficaram cegos, mas com uma certeza de que Antero demonstrara despeito, iveja por Tony. Embora fosse o contrário.
O escândalo compreensível daquele jovem perdurou por alguns instantes, até a chegada do diretor da redação.
- O que está acontecendo por aqui? – sem entender o diretor questionara.
- Bem! Este louco adentrou em nosso recinto sem ser convidado. Afinal fora despedido e ainda tá provocando tumulto. – explicara Tony com seu jeito persuasivo.
- O que? Você ainda continua, cometendo suas sandices? Mesmo depois dessa outra oportunidade?
Tony percebeu algo errado no ar.
- O que? Digo eu! Este incompetente ia voltar para o Veracidade? – Tony tivera uma crise de arrogância ao escutar aquilo.
- É...é..que andei analisando bem, percebi que tinha sido precipitado demais. Porém acabei de concluir que não valerá a pena continuar com Antero nessa situação.
- Eu me recuso, trabalhar junto desse verme! Bem que...
- O que? – indagara Oswaldo.
- Não devo satisfações, e outra coisa já deu minha hora. Hoje percebi que estive numa pocilga. É claro depois que você assumiu, nos tempos do venerável Nepomuceno tudo era bem diferente.
- Hum sei! É melhor ir embora mesmo. Deu sua hora, a propósito sempre achei o seu serviço meia boca demais para a realidade desse jornal. – depois daquele descaso, Oswaldo tentara pelo menos sair por cima.
- Era tão meia boca, que me pedia para produzir 10 artigos diários. E outra vou denunciar seu redator crápula de falsidade ideológica, este projeto aqui apresentado é de minha autoria. – afirmara Antero.
A discussão permanecera por longos minutos, parecia uma apresentação no Teatro Municipal cuja platéia fora envolvida pela veracidade do caso. De repente se houvesse uma enquete de quem teve melhor desempenho artístico os três protagonistas atuantes ganhariam empate. Porém Antero acabara de passar pelas piores frustrações de sua vida. Reagira de maneira instintiva, chegando a conclusão de qual medida seria tomada. Recuara dentro do carro, recostou a cabeça no volante, decretando um profundo sentimento de perda. Desabou a chorar, de tal maneira que conseguira estatelar seus olhos de tanto remoer o problema. Não conformava em ter de lidar com o aproveitamento absurdo do outro, sendo que toda a carga de criatividade e dedicação fora depositada ali. Era lastimável ver publicado um trabalho fruto do suor no nome de outra pessoa. Antero com expressão enfurecida dirigira até a delegacia da Polícia Cívil, recorrendo ao delegado Agnaldo.
- Creio que tenho novidades para o senhor. Tinha razão!
- Sobre que está falando? – voou na maionese o pobre delegado.
- Lembra quando me orientou, sobre o que fazer para desvendar o mistério acontecido em meu apartamento!?
- Ah!... sim, alguma novidade?
- Num foi necessário, desgastar minhas forças como tinha pensado. Acabei sem querer descobrindo quem é o ladrão safado, mentor daquela catástrofe na minha vida.
- É? Fale logo então... – o delegado, parecia em cólicas de tanta curiosidade.
- Tony Andrade, este é o nome que precisa. É ele o ladrão das minhas “chaves”. – Antero era tão centrado, em seus objetivos que nem ligou para o fato acontecido.
O depoimento durara umas boas horas, afim de formular um processo, partindo de estratégias as quais seriam exercitadas para capturar o rato na ratoeira. Antero passara a partir dali, nutrir segurança. Uma vez que as informações foram passadas a pessoa certa, sem dúvida saberia como reagir no caso. Depois de um longo registro das suas palavras no depoimento, retomara o caminho para casa. E lá refletira sobre tudo que havia passado naquele dia. Avistou do sofá, o computador ligado, sentira uma onda criativa. Dirigira-se a cadeira da qual tinha costume em assentar, introduzira uma solta ideia, que sem querer adquirira forma de um prosseguimento, incomum também aos seus olhos. Ele pode perceber algo em comum naquela experiência: “Puxa vida, estou começando a sentir a mesma sensação quando iniciei meu projeto! Creio que devo aproveitar o momento especial da minha vida hoje”.
E assim começara a partir de um surto criativo, novas ideias com formas bem inusitadas, afinal um jornalista vive, acredita naquilo que defende. Espécie de teia, que com o tempo é confeccionada gerando uma linda criação dos insetos, podendo ser agraciadas pelos olhos alheios. Por volta das 22h30minhs daquele brando luar da noite, o jovem estagiário fora surpreendido por um estranho tocando a campainha do seu apartamento. Antes o porteiro avisara a presença de tal senhor, chamado Teodoro Santana. E que precisava conversar urgente com o rapaz.
- Pois não, em que posso ajudá-lo? – cortês, o jovem recepcionara bem aquela figura na sua porta.
- É que tenho um assunto, a tratar com o senhor! – disse Teodoro.
- Pois não entre? Nós conhecemos de algum lugar?
- Não, formalmente diria. Mas o seu apartamento é bem familiar. – o motorista começara a falar as primeiras pistas do assunto.
- É na verdade, ele está simplório agora. Há alguns dias estava bem moderno, pena que...
- ...foi roubado né ! – a evasiva transmitiu afirmação naquela hora.
- Sim! Como sabe?... – Antero ficara aturdido.
- É uma longa história, mas vamos lá. Fui eu quem invadi seu apartamento, peguei seu notebook dentro do cofre.
Antero não podia acreditar naquilo que vivenciara, na íntegra. Um longo filme passara pela sua cabeça, recordando em feead backs tudo que tinha acontecido. Não entendera, por quê aquele homem o procurou? E que era seu objetivo. O fato é que as peças do quebra cabeça, tomara uma dimensão surpreendente. Longe de um final tão inusitado como havia pensado. Teodoro criou coragem afim de se redimir perante o erro. Concluiu não ter agido de maneira correta, uma vez que fugia totalmente seus princípios adquiridos pelos seus pais. A consciência pesou, resolveu então procurar Antero, esclarecer toda situação. Deixando claro que sua intenção, era ganhar parte no quinhão prometido por Tony. Mesmo assim, refletira bastante no ocorrido, definindo que seria melhor abrir o jogo. Porém Teodoro só tinha de fazer algo para reparar seu erro, no caso...
- Eu o compreendo senhor Teodoro. Percebo no falar que é um bom homem. Mas só peço uma coisa para reparar o seu erro de vez. Deponha a polícia ao meu favor!
- Claro senhor Antero. Pode contar comigo.
- Ok. Ligarei para o delegado Aguinaldo, agendarei um horário para irmos juntos. Qualquer coisa ligo para o senhor. Pode me deixar seu telefone?
- Sim. Aqui está. – Teodoro, tirara do bolso um cartão de serviços.
Antero tinha de relatar em seus escritos, o momento frequinho que acabara de passar. Era uma verdadeira ironia do destino, a queda de Tony estava apenas começando. Logo que Teodoro se despediu, Antero não cabera de contentamento, pegou o telefone, estabeleceu contato com o amigo Luiz Felipe, atualizando os últimos acontecimentos.
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