quinta-feira, 18 de julho de 2013

A intelectualidade paga um preço, por sinal muito caro

         Tudo começou quando voltava de um lugar não tão distante do meu lar, e resolvi passar pelos corredores de um Shopping a fim de buscar algo que me chamasse a atenção. Encontrei! O quê? A loja, cuja placa sempre teve e sempre terá suas escritas vermelhas,afinal trata-se da marca de grande renome nacional. É isso mesmo, estive dentro dessa loja, sem ao menos saber o que ia consumir no meu estado de espírito em êxtase por ter aprendido coisas tão legais no meu curso. E por falar nisso, minha essência nesses instantes pulsava literatura, queria dominar o cosmos com o conhecimento. Uma vontade de conhecer a tudo e a todos, devo isso a inspiração do conteúdo lecionado com a minha querida turma: Arte e Literatura. Com direito a volta pelos séculos, em estudo das obras de: Kandinski, Lorenzato e Basquiat. 
Mistura de: cultura, psicologia e humor sarcástico
      A produção inata de uma pequena associação, fruto de um trabalho quase que transcendental me deixou cada vez mais enamorado com os princípios de que tenho me apoderado. Basquiat é o motivo máximo dessa alegria, tão eterna, mágica que nem podia me caber de contentamento. Pensei o tempo inteiro, enquanto caminhava pelos corredores de chocolates, biscoitos da loja em questão. Tomei a direção do setor de Cd's, DVd's, blue rays, e claro dos livros, do universo das letras em meio a tanta tecnologia informativa. Estavam em simples prateleiras, tendo em vista o recinto, pois na verdade grande parte dos produtos ali ofertados não interessariam o público. Pena! Isso quer dizer que a arte literária, ainda é um ponto cego na formação da grande maioria das pessoas que se dizem ser com orgulho: brasileiras. Como um típico brasileiro à moda européia, fuçava demasiadamente aquela humilde exposição. Aparentemente nem sequer algo que me chamasse a atenção tinha, pelo menos é o que pensei por alguns instantes, até achar naquele mafuá organizado um verdadeiro: "Ecler de Chocolate, algumas horas mais tarde lido e selecionado entre uma das expressões a fim de declarar tamanha satisfação com a degustação de algo favorito". Assim como as gordas, personagens selecionadas pelo célebre Jô Soares, a principal motivação narrativa, que em meio a sua densidade corpórea se enchiam de felicidade, misturadas num frenesi incontrolável.
     "Mal é ter os olhos maiores que a barriga." 
        Provérbio Português
       É assim que me despedi tristemente, da perspicácia e maniqueísmo do protagonista Caronte. Numa produção quase que psicanalítica, Jô reúne humor sarcástico com a crítica cadavérica, num enredo ricamente histórico, capaz de informatizar os olhos da crítica mais especializada. Durante semanas, me debrucei nessa narrativa em tom reflexivo, sujeita as análises mais profundas e questionáveis do ser humano quanto mentor e provedor da capacidade de traçar seu próprio destino. Isso mesmo, pela manhã fechei orgulhosamente a última capa do livro, num sentimento de missão cumprida, associada a mais uma coleção de conhecimento que adquiri com o cosmos da arte. Porém a forma pela qual se deu o processo de aquisição desse "ecler" me veio como um trem bala, arrancando-me gargalhadas e mais gargalhadas. Sabemos que o acesso a intelectualidade nos dias de hoje é algo bastante palpável, no entanto, as livrarias conseguem manter seus volumes praticamente intactos mediante a cultura nociva que a população não tem em ler bons livros. Já na fila do caixa com ele em mãos, algumas pessoas próximas olhavam-me com certa estranheza. Primeiro me senti um androide, era como se um extra terrestre estivesse dominando-as num impasse de gigantes. Segundo, já no caixa, uma moça de aparência extremamente agradável me atendeu com certa naturalidade, até o momento em que surge-lhe a dúvida quanto ao preço daquele "ecler". Hora crucial para mim, pois dar R$ 35,00 nele podia ser coisa de gente maluca. Mas mesmo assim aventurei. A atendente indaga, objetivamente:
      _Você viu esse livro na prateleira, por qual preço?
     O momento era aquele. Um silêncio tomou conta de mim, me restou ser inocente.
     _Não olhei o preço, não consta nos registros de produtos da loja?_ perguntei prontamente, careca da saber o valor da negociação.
    _Não!_ respondeu simultaneamente a moça, com um tom de certeza._ Me parece que ele foi registrado por apenas R$ 4,99.
    Nem percebi claramente a expressão que teria feito naquele momento, porém assim como nos romances policiais pude prever tamanha surpresa da minha parte, tanto como descobrem o assassino. Fui natural, já na ossada deles:
   _ Bom, se você diz, confio que seja esse valor.
   Nem sequer a moça conferiu o preço original da obra, foi logo registrando. Na verdade senti simpatia da parte dela por mim, o que facilitou fechar com chave de ouro a compra.
   _ Sim! Apesar de não ter certeza, vou registrar este preço.
   Saí praticamente saltitante da loja, só não o fiz por está num ambiente pouco propício para tal façanha. O que sei, com toda sinceridade é que: "As Esganadas", me rendeu belíssimas experiências. Se você caro leitor está pensando que fui trapaceiro,  jamais! Essa não foi a intenção. No mínimo acho que assim como a acessibilidade ao conhecimento está fácil, os preços também a estes deveriam ser acessíveis, talvés por causa disso que tem tanto gente desinformada por aí.