Depois daquele surto psicótico, Antero caiu em si. Retomou a situação de onde parara. Tirou conclusões horríveis de tudo que havia acontecido. Refletiu bastante como ia quebrar a cabeça pra conversar com Tony à respeito do que tinha feito. Até então nem desconfiava que o próprio tivesse sido o responsável da sua demissão! Afinal será que ele realmente será demitido?...
CAPÍTULO IV
A noite chegara como um cometa desgovernado. Luiz Felipe acabou dando conta de que precisara ir embora. Notou que Antero não ia acordar, decidiu ir embora deixando-lhe um bilhete cordial de despedida. O pobre jovem estava à vontade em sua cama despreocupado, porém com expressão de tristeza profunda. Era o momento em que sua caixinha inconsciente, passou a reviver de maneira distorcida à sua eventualidade. Embora tudo que acontece nos sonhos, traduzem-se de maneira diferente na vida. Acabara despertando, após um salto de tensão. Todo ensopado de suor parecia um porco no rolete. Deu um salto da cama, dirigira ao banheiro, deparando com uma cena não muito agradável aos seus olhos.
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| A discrepância de Antero mudara de nome: Desconfiança. |
- Puxa vida, tô com uma expressão anal. Abatido...
Tomara outro banho, voltando à sua órbita normal. Lera o papel que estava em cima da mesa do seu amigo. Riu do comentário, mas logo foi tomado por aquela atmosfera negativa a qual passara. Diante do seu computador pessoal, teve uma vertigem criativa mesmo mergulhada no ápice da tristeza. Redigiu um belo artigo, cujo assunto tratava, de certas práticas políticas erradas que o país vivera. Fora a produção do dia pensara.
Empolgou tanto, que dormira em cima de seus teclados mágicos. Deixando Morfeu se encarregar da longa noite pela frente.
Do outro lado, ou melhor, dizendo à poucas quadras dali, o mequetrefe fora a convenção de jornalistas e redatores. Uma vez que o jornal Veracidade precisava que alguém desse o ar da graça, pena que um crápula, estilo boa praça era o tal escolhido. Jantara ao lado, dos mais conceituados redatores do Brasil, tudo aquilo era um verdadeiro conto de mar de rosas para Tony. Explorara bem sua experiência, transmitia uma cortesia sem igual, embora o seu caráter assinalava ao contrário. Colocou todos à sua volta, encantando aquelas feras do jornalismo com suas embromações. Chegara o momento status, a hora de vender o peixe. Todos naquela sala enorme do Catete, onde pessoas ocuparam até o saguão daquele imenso palácio. E lá estava Tony revelando mistério iniciativa, sem dúvida ia transformar de ponta a cabeça a vida do Jornalismo em si. Tediados, os convidados assumiram unanimemente a expressão comum própria da profissão a CURIOSIDADE! Esperaram a grande revelação, no entanto Tony o impostor estagnara no discurso.
- Queridos! Essas serão cenas dos próximos capítulos. Afinal é uma novela da vida, implica cautela e passos firmes. Resolvi dividir a novidade, afim de que me desejem boas energias. Beneficiando a nós profissionais liberais de uma área vasta, essencial para a comunicação. – discursava demagogicamente o abutre.
- Bravo...Bravo...Muito bom.
- Excelente....
- Magnífico...
Os marionetes aplaudiam, incontrolavelmente o mequetrefe. Por um momento, sentiu na íntegra a sensação de uma primeira estrela de Hollywood. Suspirava como aquelas mocinhas carentes, quando achavam que tinham encontrado o príncipe encantado, não obstante na verdade interpretava um vilão frio e calculista.
Um dos redatores de um jornal da Bahia, muito conceituado o Senhor Aldo Guimarães, não conteve sua emoção e espírito empreendedor, logo arriscara um leve bordão para o lado de Tony.
- Quanto será que vale um talento? – indagara Aldo.
- Como assim? – Tony demonstrou completamente confuso, uma verdadeira gafe.
- Meu caro, não seja modesto! Acabei de perguntar, quanto vale você trabalhando em meu jornal?
- O senhor sem dúvida é muito gentil, mas estou muito bem no Veracidade. – Mantera orgulho, mostrando pompa e competência na tentativa de impressionar o velho Aldo.
- Um sim! Compreendo, espero que seja realmente promissor o projeto. – Aldo alfinetara Tony depois da sua desfeita.
- Pode ter certeza meu caro, vai ser um sucesso! – rebatera imparcialmente o redator aproveitador de situações.
Pela manhã, Antero encarou um imenso congestionamento para o trabalho. Levou uma eternidade para chegar ao destino. Antes conversara com seu amigo Luiz Felipe, a fim de averiguar ao certo o que ocorrera no dia anterior. Ficou tenso, ao descobrir que falara coisas estapafúrdias a Tony. Diante daquele caos automobilístico, sua mente cruzara nos mais variados pensamentos negativos, acabando por estabelecer uma onda de sintomas psicossomáticos. Pela primeira vez, encontrava-se numa saia justa: “Como vou me desculpar com Tony? Por que fiz aquilo? Sou um idiota mesmo, acabei de crer...”. Chegando no recinto de trabalho, filmou por todos os lados, lá estavam todos trabalhando naquele corre corre diário.. Antero deixou-se levar por um momento de distração, quando sentira o mesmo calafrio da última vez.
- Olá Antero! Está melhor agora? – ironizou, com uma sutil expressão cínica.
- Hum!...Te devo mil desculpas, Tony. Não foi minha intenção... – Antero sentiu-se totalmente desconcertado.
- Nem precisa continuar, Antero. Entendo, tenho percebido que está com alguns problemas. Desde já, conte comigo.
- Obrigado, Tony, mesmo assim te peço desculpas pelo que fiz. È na verdade tô passando por problemas sim. Por sinal, só eu posso resolvê-los.
Depois do encontro ao acaso dos dois, Antero seguiu a rotina naturalmente, justificara a situação com o diretor da redação, mesmo assim aquele homem estava predestinado a mandá-lo embora. E fora o que fez.
- Perdoa-me senhor, te peço em nome da minha mãe não me tire dessa equipe? – uma sensação de fracasso tomava conta de Antero.
- Infelizmente Antero não vou ceder. Sua postura ética profissional, depois de ontem me fez perder a credibilidade nos teus trabalhos! Embora eu o ache muito competente.
- Pois então me dê mais uma chance? – relutou Antero.
- Não Antero, minha palavra é uma só! Não sei se você vai fazer isso outras vezes.
- Não vou!
- Quem garante... E outra coisa fim de papo. – Oswaldo virou as costas para Antero.
Agora sim, Antero tinha todos os motivos para ser um fracassado na vida. Fora ao poço desta vez, sem chance de lutar. Jogado como um rato morto no esgoto. Enquanto isso, Tony celebrava a desgraça, daquele jovem. Ao percebê-lo totalmente sem chão. Porém Antero não havia vencido, afinal tinha de ter uma saída para aquela situação não podia render-se assim. Buscou pelo amigo que estendera a mão, a fim de achar possibilidades para sua volta ao Veracidade.
- Mais que surpresa Antero. Você por aqui? – o senhor Nepomuceno estava entre as grades do portão de sua casa.
- Pois é, Nepomuceno só você tem a carta na manga, para me ajudar num problemão. – de maneira evasiva, Antero logo fora direto ao ponto.
- Hum! Em que posso ajudá-lo?
- Convencer aquele verme do diretor do Veracidade, a não me despedir.
- Como assim? Seu trabalho tem tido resultados. O que há com Oswaldo?
- Bem, eu vacilei também. Você ficou sabendo do atentado que meu apartamento sofreu né?
- Sim, fiquei!
- Pois então. Estou inconformado com o roubo das “chaves”, decidi ontem sair mais cedo sem falar nada.
- Ai, aí... Você desafiou um regulamento muito importante dentro da redação. De fato pisou na bola. – explicou o defensor de Antero.
- Foi uma única vez que isso aconteceu. De cara me manda embora como se fosse incompetente. Ahhh, não! Tem gente naquele lugar metido em coisa pior.
“Muito estranho, Oswaldo dispensar Antero, por causa de uma falha. Aí tem coisa”. Nepomuceno tivera um momento reflexivo, buscando a melhor forma de colaborar com a volta do jovem para o Veracidade. De cara, sua intuição jornalística, o levara numa hipotética conclusão.
- O que mais me intriga nessa história é justamente como Oswaldo chegou nessa decisão assim tão rápida. Sempre foi um líder metódico e cauteloso. O que há com ele. A menos que...? – surgira dúvida no ar.
- O que Nepomuceno? O que tá pensando? – a curiosidade dominou o raciocínio do estagiário.
- Por acaso, você tem alguma indiferença com Tony?
- Hum, não por quê?
- Tome cuidado, digo pela experiência que tenho. Ele é um cara muito ambicioso, por de trás da sua cordialidade existe um sepulcro de veneno.
- Que exagero Nepomuceno! O cara é biscoito fino comigo. Tem demonstrado interesse em me ajudar, jamais.
- Pois te digo uma coisa, tome cuidado com Tony, ele é perigoso. – alertara o velho sábio.
- Hum! Vou pensar sobre...
A conversa estendera até por volta de umas 21h00minhs daquele dia. Aproveitaram para colocar os assuntos em dia, afinal fazia muito tempo que não se encontravam. Antero terminou seu dia com chave de ouro, uma vez que está cercado de pessoas nas quais sempre o apoiaram. Porém fora embora com a mente perturbada, analisando as palavras de Nepomuceno. Tentando encaixar alguma peça em seu quebra cabeça afinal os conselhos do velho sempre lhe renderam boas ideias, sucesso. “O que há de errado com Tony? Vou colocar o conselho do delegado em prática!”. Só então Antero, percebera que era hora de agir, pois perdera tempo demais se lamentando. Sua firmeza, determinação o moveram. A ponto de chegar a seguinte conclusão: “Não me dei por vencido!...”.
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