segunda-feira, 4 de junho de 2012

O subjetivo posto a prova. Senso comum desmedido...

         Pessoas inteligentes o universo tem aos montes. De grandes poderes e ascensões, ele também está cheio. Porém nunca o ser humano foi tão questionado como agora em pleno século XXI. Nos anos 40 já tinham pessoas se preocupando, com o destino daqueles que enxergam a vida com olhares superficiais. Tornando-se o extremo ou melhor a verdade absoluta dos pobres homens desde então. Em pensar que a ingenuidade pode ser a prova mais concreta de uma inteligência sem fronteiras, ainda há quem acredite que o senso comum desmedido, voltado para a satisfação de uma lógica opressiva se torne e encha os olhos da gente. Tremenda crueldade, um ataque subjetivo sem igual.  A capacidade de exercer nossa originalidade torna-se mais afastada dos ideais comuns da existência.  Essa reflexão me faz lembrar a saudosa obra de Exupéry, cuja sabedoria retrata veementemente o que estou querendo dizer. Ele tem razão quando nos coloca na posição de crianças, onde o amor, a tolerância e a amizade são meandros indispensáveis para se estabeleça  o grito da liberdade, vista como um direito de todos. É isso, ser criança mesmo sendo adulto pode parecer um verdadeiro desafio, porém nenhum de nós estamos ilesos da questão evolutiva da vida, ora ingrata, ora sublime. Quando passamos a caminhar com as próprias pernas, o perigo é posto imediatamente diante de nós: a fase de uma tenra dependência, acaba projetando-se para a balburdia da insegurança, e do desconhecido. Afinal lidar com isso é incontrolável? Ou origina-se dentro de nossas confusões? Na sinceridade, as verdades são tratadas de maneiras tão prontas, que acabamos engolindo a famosa gororoba do nada. O alimento de toda pessoa cega, ignorante sem a menor perspectiva com coisa alguma. Defendem-se através dos conceitos impostos por lunáticos que insistem em martelar nas mesmas certezas. A experiência do Pequeno Príncipe é fantástica, logo no início Exupéry, propõe um enorme desafio: o percorrer pelo desconhecido, e o trato com a sensibilidade afim de que fosse percebido o que era imperceptível aos olhos das pessoas grandes. A Floresta Virgem trouxe a proposta da transformação de questões fundamentais no século. Onde a contemplação do belo nunca esteve presente como  na leitura e aprendizagem do livro, onde ninguém  ou melhor grande maioria das pessoas grandes não conseguem ainda enxergar no simples e sem sentido, a verdadeira lição de vida. Para chegar a uma conclusão, é necessário que o leitor aprofunde o imaginário para que o olhar seja apurado, e que consiga projetar para o ideário da mensagem que o autor quer na íntegra passar. A mente passa por um processo de embaralhamento, uma distorção que podem reduzir-se em loucura. E nisso, mesmo na loucura a humanidade se bobiar irá preferir ficar no estábulo do comodismo...
          A jibóia estava com fome, movida ao instinto infelizmente teve que dar cabo da vida de outro ser vivo. É a natureza cumprindo o seu ardiloso papel, como evitar o inevitável? Se de repente a jibóia deixasse a sua natureza, ela conseguiria cumprir com o seu papel no universo? Sim ou não? Para responder as indagações feitas podem chegar a encabular, mas em alguma conclusão todos temos que chegar...partir dessas quebradas que constrõem nossa visão de mundo é um processo surpreendente e bastante pessoal. Porém a forma pela qual estes são consolidados é de causar medo, um espanto geral, uma bagunça que ameaça até a confundir pessoas esclarecidas na sabedoria. Uma pessoa grande, tem a audácia e o poder injusto de furtar os sonhos das crianças, elas nem sequer tem como dar a volta por cima saem na desvantagem. Essa é a grande ameaça para elas, já os adultos se acham com total direito e domínio sobre o outro, mas se esquecem de que suas visões são tão cruas e sem profundos significados que se caso não se adapte ao processo de reconhecimento dessa criança que cada um de nós nutrimos no peito. Estaremos perdidos nas certezas sem fim, vazia como um buraco negro. E quando oficializamos o buraco negro na realidade circundante, perceberemos com facilidade um dos impactos dolorosos dessa trajetória: o sequestro do EU, a subjetividade colocada à prova...
   No momento em que a criança fez o questionamento a pessoa grande, sobre o seu desenho, foram incríveis seus resultados. O primeiro deles, a pessoa grande disse tratar-se de um chapéu. Triste para o pequeno, descobrir que ali naquele poder de dominar os outros na verdade não comandava absolutamente nada. O choque foi quando, a criança na tentativa de deixar claro o que queria dizer, executou um outro desenho, afim de que as coisas fossem explicadas, detalhadamente. Aquela produção, é magnífica de arrepiar os cabelos, uma jibóia terminando a missão de digerir um elefante inteiro.  O fruto das consequências de uma exagerada racionalidade, não foi capaz de sanar a verdadeira profecia que estava ali diante dos olhos adultos. Digo profecia, pois algo pensado na década de 40 nunca demonstrou ser tão atual como o efeito que essa imagem nos inquieta. A contemplação do belo foi algo tão pessoal e autêntico que a obscuridade do senso comum mediado pelo superficial, desencadeou o que tanto era esperado para o desfecho da situação. Pense numa inteligência que seja fruto da humildade, que valorize os atos menos improváveis, que por fim mostra a sua cara. Portanto todos nós precisamos desbravar os caminhos, e encontrar o nosso tão amado Pequeno Príncipe. Pois somente ele é capaz da acreditar e restaurar seus sonhos mais particulares. O Pequeno Príncipe está dentro da gente, ele é adepto dos pés firmes no chão, um direito inerente da comunhão entre o outro e o universo....

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