"Desconheço alguém que nunca falhou. Expansão do pensamento, se constrói no tempo. Os conceitos mudam de verdade. Universo compatível com passos lentos e seguros." A vela estava acesa. As janelas abertas, podia enxergar o que lá fora manifestava. Corrente de ar muito intensa, a luz oscilava, relutando para não se apagar. Sôfrega às lágrimas corriam-lhe pelo corpo, anunciando um final prestes a acontecer De bruços na cama, de costas para a janela, abraçado a um livro, o mundo introspectivo tomava conta: pensamentos avulsos e aleatórios, como a vela e o seu balanço, produzia confusão! E se ela apagasse, o que ia ter sentido a partir de então? A luz do espírito batalha contra o agente externo, as cortinas desarrumavam, perante o sibilo dos efeitos dos ventos fortes. O tempo foi fechando e nada daquela luz se apagar. Por um momento, a consciência recobrava o choro, só que dessa vez o ranger de dentes o acompanharia. Um efeito gradativo, de uma causa indefinida.
Quanto mais respostas buscava, mais a mentalidade acelerava, numa roda viva e desenfreada, partes de fragmentos soltos, que se reuniram obrigatoriamente. Intacto sem mover o corpo em cima da cama, os músculos enrijeciam, como se fossem reduzidos a um tamanho menor do que o normal. A essa altura a vela se encontrava pela metade, envolta de lágrimas grosseiras, deformando inclusive sua composição natural. As partes da janela batiam umas nas outras. O som hostil e anunciante, fazia prever que algo aconteceria dentro de pouco, ou melhor pouquíssimo tempo. E mesmo assim a penumbra se mantinha cumprindo o papel ao qual foi destinada. Revirando num sinal de desespero, aquele ambiente ficando pequeno, uma única maneira de sair dali: "Só com coragem! Coisa que ainda não tenho, o tempo e os anos me fizeram assim. Hoje estou inseguro, sem sentido." Não havia muita coisa a ser feita. O efeito daquela experiência se tornava mais intenso, e nada da descoberta da causa. Bastou uma atitude: a salvação estava no livro, uma fortaleza poder-se-ia está lá dentro, aguardando apenas uma profunda experiência. Quem sabe a partir de então, não nasceria coragem e esperança? Pouco provável, o processo desencadeou muito rápido, talvez num tenha volta.
| A vela que fez o corpo transfigurar... |
Mesmo assim as primeiras páginas foram lidas. Com o raciocínio acionado e alma inocente, porém preocupada. Ainda assim a luz do fundo do túnel começava a dar os primeiros passos. os nervos daquela estrutura corpórea se destrancaram aos poucos, já era possível sentir alguns movimentos. Para ser solidário às lágrimas produzidas pela vela, também as mesmas começaram a correr-lhe os olhos. O vento cada vez mais disciplinou sob o comando do tempo, as cortinas tomaram novamente seu posto estético. O ambiente por fim, tornou-se mais leve e agradável. A fé moveu o coração da criatura que sofria.
O livro era consumido vorazmente, numa espécie de fome intelectual. Ressurgia das cinzas feito Fênix, os caminhos desconhecidos seria o seu limite. Já não estava na cama. Levantara e caminhou para a janela, avistou o universo do lado de dentro, uma vontade interior de sair voando lhe acometia. Para substituir o devaneio, ao menos sentou-se a mesma, de lado com os pés firmes em posição socrática (da figura da imagem do pensador). E de ideias nas mãos, tudo chegava no mais perfeito e sublime lugar. Aquele momento maiêtico era apenas para experimentar algo novo, pois o destino já estava traçado. Mesmo assim algo iria acontecer. "Que sensação indefinida. Parece que a causa, cobra-me a mente. O esclarecimento, por meio dessas ideias somam um conhecimento existencial que nunca tive." O tempo abriu com o sol radiante dos dias encantadores de primavera. O tempo anunciava a chegada de mais uma aurora com os mesmos mistérios que as outras passadas emergiam.
A sonolência veio de manso, a tranquilidade contagiava o coração. A vela ainda ardia num ímpeto de gigante. Estava completamente deformada e a penumbra foi diminuindo, diminuindo e diminuindo. Até que a luz da vida se apagou. Parou de chorar, seus resquícios pareciam cinzas sólidas, produzidas pela cera. Num sono profundo, o vento se encarregou de acionar sua intensidade para tirar a prova se a vela tinha ido embora. Sim! Mas não só a mesma consumara pelo tempo, o mesmo corpo que viveu a profunda experiência transcendental horas antes também. O sono eterno elevou a passagem material para a espiritual: o plano cosmológico recebia um ser, cuja a existência fora medida com a intensidade que a vela sofria. O homem viverá eternamente sob o consolo e o sofrimento daquele corpo fino e luminoso, usado como um relógio, que ao pó retornou...
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