sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O passarinho me desafiou...

    [...]Como num ninho de pássaros vou ficando pelo alto almejando ao seu pouso magistral. E quem diria que através dessa ousadia eu pudesse parar e refletir? Debaixo da árvore fico de lá, contemplando a imagem desse mesmo passarinho fazendo uma força danada para sobreviver, cumprir com o seu instinto. e eu louco para subir junto e ajudá-lo. Audácia ou utopia demais? Creio que não! Minha cabeça rola, e gira em forma de uma torneira aberta com água corrente caindo e formando aquele círculo comum, parecendo um furacão, já viram? E mesmo assim fico dali acompanhando cada passo do passarinho, que não está com nenhuma vontade de alçar vôo, preferiu ficar ali curtindo seu aconchego, e continuei bem instalado com o pescoço doendo de tanto olhar para cima pensando: "sai logo daí passarinho, vem falar comigo, aproxime-se de mim, não sou uma ameaça. Meu sonho é ser você, ter asas e voar pra todos os cantos e cantar feito um louco apaixonado divulgando as pessoas o meu amor pela vida". Pois é acreditem de quiserem, apesar de todo o exemplo que aquele bichinho me passava, mesmo assim não quiz sair do canto. A única alternativa era seguir o processo natural de abaixar meu pescoço afim de que eu conseguisse o alívio tão desejável naquele momento. Ah resolvi, tomar a iniciativa e fui embora, deixando o pequenino sem minha presença, mesmo de longe avistava o medo que ele tinha de voltar a voar. Quando fui me questionar sobre sua conduta, pude concluir que tava na sua metamorfose, assim como nós seres humanos passamos um dia na vida. Sentindo a mesma insegurança, sem saber por onde começar.
       E não é que no outro dia quando voltei no mesmo ponto e ainda continuava lá? Só que a noite havia chovido, e consequentemente tava todo molhado. Não aguentei, e arrisquei subir na árvore, essa empreitada poderia me custar a vida, mas diante daquilo não podia deixá-lo sem amparo. Fui com a fé que o nosso senhor Jesus Cristo me deu, subindo, subindo, e subindo. E relutante o passarinho olhou bem para mim, nessa hora fingi ser o tronco da árvore, e deu certo, o que na verdade já sentia a presença de um corpo estranho maior que ele. Quem ficou com medo nessa hora foi eu, e mesmo assim quiz lutar contra minha vontade e subi até lá. Chegar no topo era arriscado, mas ia disputar um sonho daqueles pra morrer em cima de um ninho? Valia a pena! Optei por chegar lá indepedente do que fosse me acontecer, se tivesse de desencarnar, o faria feliz. Só que não, o passarinho todo trêmulo de frio me deixou acolhe-lo em minhas mãos, peguei-o com  cuidado, atitude de carinho que nunca havia praticado com ninguém. Só que um detalhe importante é que morreu, deu seu último suspiro entre meus dedos. Mas me marcou no instante em que me colocou como se eu fosse ele por pelo menos alguns minutos, com uma única diferença: não tinha asas para voar, mas tinha o mesmo sentimento de quando estava lá de cima, o de enxergar o mundo sob um ponto de vista bem diferente lá do alto, e melhor que isso a sensação de liberdade que não tem preço. Foi único! Talvés umas das coisas mais loucas que já pensei em toda minha vida. OBRIGADO PASSARINHO....

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